|
EUA enfrentam novas acusações de abusos de presos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Estados Unidos enfrentam novas acusações de terem praticado abusos contra prisioneiros mantidos no Iraque e na base militar da baía de Guantánamo, em Cuba. As denúncias, com base em testemunhos de agentes do FBI, são parte de um processo judicial movido contra o governo de Washington pela União Americana das Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês). Alguns dos documentos liberados ao público são datados de poucos meses após o escândalo de tortura de iraquianos na prisão de Abu Ghraib, em Bagdá. Um dos memorandos que vieram à tona nesta segunda-feita traz o relato de um agente do FBI (polícia federal americana) que diz ter visto "abusos físicos graves" no Iraque. Ele descreve espancamentos, estrangulações e cigarros acesos sendo apagados nas orelhas dos detentos. O documento datado, de 24 de junho – dois meses após a revelação dos abusos em Abu Ghraib –, estava destacado como "urgente" e foi enviado ao diretor do FBI, Robert Mueller. O diretor-executivo da ACLU, Anthony Romero, disse que as altas autoridades não podem mais deixar de prestar contas à população dizendo que os soldados agiram por iniciativa própria. Guantánamo A organização afirma que alguns detentos em Guantánamo – em sua maioria capturados durante a ofensiva militar contra a Al-Qaeda e o regime do Talebã no Afeganistão, em 2001 – foram mantidos acorrentados no chão em posição fetal por mais de 24 horas. De acordo com a acusação, os presos teriam ficado sem receber comida e água e tiveram acesso negado ao banheiro, sendo obrigados a permanecer em meio aos próprios excrementos. Agentes do FBI dizem em e-mails sobre as condições em Guantánamo que verificaram nos últimos dois anos o uso de cães ferozes para intimidar os presos. Autoridades do Departamento de Defesa negaram anteriormente que essa prática fosse realizada na prisão. Os agentes federais disseram ainda que um detento foi enrolado numa bandeira de Israel e "bombardeado" com música em alto volume e luzes estroboscópicas, numa das táticas utilizadas para convencê-lo a falar durante interrogatório. A ACLU utilizou instrumentos legais que obrigam o governo dos Estados Unidos a dar acesso à informação (a Lei da Liberdade de Informação). Desta forma, obteve a liberação de e-mails trocados por agentes do FBI sobre a situação na base militar. O Pentágono promete investigar as denúncias, que incluem ainda interrogadores militares terem fingido ser agentes do FBI, numa tentativa de ganhar a confiança dos prisioneiros e fazê-los cooperar com informações. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||