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Yasser Arafat será transferido para Paris | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo da França disse que Yasser Arafat vai ser transferido para o país "de forma iminente" para ser hospitalizado, em resposta ao pedido feito pela Autoridade Palestina. Os médicos que estão cuidando do líder palestino decidiram que ele deveria ser tratado na França, para onde deve viajar na manhã desta sexta-feira. Segundo a porta-voz do governo francês, Jerome Bonnafont, um avião está sendo enviado para Ramallah para apanhá-lo. Pouco antes deste anúncio, o presidente da França, Jacques Chirac, enviou ao líder palestino seus "mais sinceros votos de melhora" e garantiu-lhe o apoio da França "na procura de uma solução justa e duradoura do conflito no Próximo-Oriente". Um conselheiro do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon enviou uma mensagem aos palestinos dizendo que se Yasser Arafat quiser viajar para outro país para tratamento médico, Israel vai garantir que ele retorne a Ramallah com segurança. Fontes do governo israelense disseram à BBC que o problema de saúde do líder palestino está sendo tratado como um assunto humanitário e por isso Israel permitiria sua volta a Ramallah caso seus médicos considerem necessário o tratamento do líder em outro lugar. A mulher de Arafat, Suha, que estava em Paris e não via seu marido desde o início da intifada (revolta palestina) em 2000, viajou para Ramallah e já está com o líder palestino. A chegada de Suha coincidiu com o momento em que foram divulgadas fotos do marido sentado na companhia de seus médicos. Sentado numa cadeira, Arafat estava com um pijama azul e um gorro, bastante pálido, aparentando fraqueza. A foto foi tirada às 13h, no horário local (8h, horário de Brasília). Segundo a correspondente da BBC em Ramallah Barbara Plett, Israel, que durante muito tempo considerou Arafat culpado pela violência dos militantes palestinos, quer evitar ao máximo qualquer responsabilidade pela morte do líder palestino. 'Disfunção sangüínea' Um médico que está cuidando de Arafat disse à agência de notícias France Presse que o líder palestino sofre de uma anomalia sangüínea e seriam necessárias análises suplementares no exterior para se determinar a causa da doença. Ele falou à agência que "as células sangüíneas que normalmente destróem os micróbios estão destruindo as plaquetas do sangue". De acordo com o médico, a anomalia poderia ser causada por "uma infecção de origem viral, um câncer ou um envenenamento sangüíneo". Arafat havia reclamado de dores de estômago nos últimos dias, mas sua saúde piorou na quarta-feira. Relatos indicam que o líder palestino teria ficado inconsciente por um breve período de tempo e não estaria conseguindo comer sem vomitar. "Ele parecia cansado e fraco, mas conseguiu rezar", disse um representante palestino à agência de notícias Reuters. Alerta Uma equipe médica jordaniana, liderada pelo médico particular de Arafat, foi chamada para Ramallah com urgência. "Estou levando uma equipe para avaliar as condições dele e fazer o que for preciso", disse o neurologista Ashraf Kurdi.
Um dos assessores de Arafat, Nabil Abu Rudeina, negou os rumores de que um comitê formado por três membros teria sido indicado para assumir as funções do líder palestino. Analistas afirmam que qualquer transição na liderança palestina seria caótica porque Arafat não definiu quem gostaria de ver como seu sucessor. O líder palestino viveu os últimos três anos quase como um prisioneiro dentro do quartel-general na cidade de Ramallah – cercado por tropas israelenses. As forças de segurança de Israel foram colocadas em elevado alerta nos territórios palestinos, e há relatos de que o Exército israelense preparou planos de contingência para o caso de Arafat morrer e isso iniciar uma revolta na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. |
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