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Perfil: Yasser Arafat | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Seja no campo de batalha, seja na mesa de negociações, Yasser Arafat é há mais de 40 anos o indiscutível líder dos palestinos pela criação de seu estado independente. Personagem enigmático, em que os feitos de coragem pessoal muitas vezes se confundem com uma notável tendência à mitificação, Arafat simboliza a luta de todo um povo pela sua sempre adiada autonomia. Mas seu estilo autocrático e personalista, que foi fundamental para manter a unidade da causa palestina nos anos de ilegalidade, já há tempos vem desgastando seu apoio popular nas áreas controladas pela Autoridade Palestina. Arafat diz ser natural de Jerusalém, mas há registros de seu nascimento no Cairo, em 1929. Depois de fazer fortuna no Kuwait como comerciante, participou em 1959 da formação do Fatah, grupo que se tornaria o principal elemento da Organização pela Libertação da Palestina, e pouco tempo depois se tornou o líder incontestado da causa palestina. Coragem e autoritarismo Mesmo sob críticas de seus comandados, Arafat segue sendo o grande instrumento pela criação do estado palestino. Mas, como o processo não está preenchendo as expectativas criadas pela assinatura dos acordos de Oslo, em 1993, seu estilo autoritário e sua recusa em delegar responsabilidades já não contam mais com tanta boa-vontade por parte de seus compatriotas. A situação já foi diferente. No começo da luta palestina, Arafat liderou a OLP na busca de seus objetivos a qualquer custo, mesmo que valendo-se de meios violentos.
Sua autoridade permaneceu intacta durante os anos 60 e 70, mesmo que muitas vezes tenha sido alvo de críticas na comunidade internacional por comandar ações como o seqüestro de aviõe e ataques a bomba. Arafat deu freqüentes provas de coragem pessoal, envolvendo-se diretamente em situações críticas como o apoio palestino à Jordânia na guerra de 1970 contra Israel ou durante o cerco israelense a Beirute, 12 anos depois. Erro fatal Além do valor militar, Arafat valeu-se de estratégias muitas vezes discutíveis para consolidar sua liderança no movimento palestino. Em nome de sua causa, com freqüência fez uso de ameças e intimidações para garantir que o poder permanecesse em suas mãos. Analistas consideram que hoje, como líder da Autoridade Palestina, uma entidade reconhecida e com responsabilidades legais, suas táticas continuam as mesmas. Seu grande erro na área de política externa foi cometido no começo dos anos 90, quando apoiou o líder iraquiano Saddam Hussein na Guerra do Golfo. Essa decisão privou a OLP de grande parte de suas fontes de renda, já que a entidade era financiada por governos de países árabes que se opuseram ao expansionismo de Saddam. Com a derrota do Iraque, a OLP ficou sem aliados e sem dinheiro, e Arafat acabou sendo forçado a fechar acordos com Israel sob termos nem sempre considerados aceitáveis por seus comandados. Ramo de oliveira Tanto ele quanto o premiê israelense Yitzhak Rabin receberam o prêmio Nobel da Paz por suas contribuições ao processo de paz, mas ao apertar a mão de Rabin na frente do presidente americano Bill Clinton em 1993, Arafat despertou críticas de ambos os lados. Ele retornou à Gaza no ano seguinte, mas negociações em temas fundamentais como o direito de retorno dos refugiados palestinos não progrediram e o processo de paz foi prejudicado. Rabin foi assassinado pela direita israelense em 1995 e, como presidente da Autoridade Palestina, Arafat teve dificuldades para definir seu papel e manter tanto israelenses quanto palestinos comprometidos com o que ele chamou da “paz dos bravos”. Paz tem sido algo raro para ele, desde então. No ano 2000, qualquer reconciliação parecia improvável e uma nova intifada, desta vez armada e com Arafat em seu centro, foi lançada na Cijordânia. Em abril daquele ano, seu velho inimigo Ariel Sharon o acusou de instigar o terrorismo nas ruas de Israel e suas tropas atacaram o quartel-general de Arafat. Seus críticos dentro da Palestina o acusam de dirigir uma administração corrupta, fazendo muitas concessões e mantendo uma confiança equivocada nos Estados Unidos. Vale lembrar suas palavras na Assembléia Geral das Nações Unidas em 1974, quando fez sua estréia no cenário internacional. Arafat disse aos delegados que ele tinha vindo “carregando um ramo de oliveira e um revólver de guerrilheiro”. Ele pediu para que os delegados não deixassem que o ramo de oliveira caísse de sua mão. |
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