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Índia se recusa a discutir Caxemira 'pela imprensa' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Índia pediu ao Paquistão que discuta a situação da Caxemira por canais oficiais. O pedido foi feito depois que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, fez um apelo por novas idéias para encerrar, com meios pacíficos, a disputa entre os dois países sobre o território. Partidos de oposição paquistaneses reagiram com irritação, mas políticos da Caxemira receberam bem o apelo de Musharraf. A Índia sugeriu que jornalistas não deveriam ser os primeiros a ouvir propostas sobre a Caxemira. Negociações "Não acreditamos que a Caxemira seja um assunto que possa ser discutido pela imprensa", disse o porta-voz do ministério do Exterior. O território, segundo ele, é "apenas um dos assuntos" nas negociações entre a Índia e o Paquistão iniciadas em janeiro. O correspondente da BBC em Nova Déli Sanjoy Majumder diz que autoridades indianas acreditam que Musharraf gosta de marcar gols políticos em público. Entre as opções sugeridas pelo líder paquistanês está governo conjunto do território ou sua redivisão. O correspondente também disse que os tradicionais pedidos paquistaneses por um referendo são impraticáveis, enquanto a oferta da Índia de criar uma fronteira permanente entre as duas partes da Caxemira é inaceitável. Surpresa O correspondente da BBC em Islamabad Zaffar Abbas disse que a iniciativa do presidente pegou o Paquistão de surpresa. Uma aliança de seis partidos islâmicos, chamada Muttahida Majlis-e-Amal (MMA), classificou o plano de "traição à causa da Caxemira". "É um retrocesso em relação à política paquistanesa sobre a Caxemira desde a independência", disse à agência de notícias AFP o vice-líder do MMA, Hussain Ahmed. "Qualquer idéia deve ser discutida no Parlamento", disse. Raja Zafarul Haq, líder da Aliança para Restauração da Democracia, de oposição, disse que a proposta de Musharraf "não é do interesse do Paquistão e da Caxemira". Desapontamento Na parte da Caxemira que é administrada pelo Paquistão, o primeiro-ministro Sardar Sikandar Hayat disse que está desapontado com os comentários do presidente sobre o referendo e também com a sugestão de que o território deveria ser dividido novamente. "Acreditamos em um plebiscito, aquele que foi prometido tanto pelo Paquistão quanto pela Índia", disse, referindo-se à resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em 1948 convocando um referendo, aceita pelos dois países. "Agora, depois de cinco décadas, eles estão falando sobre a desintegração da Caxemira em seis ou sete partes", afirmou. Na parte indiana da Caxemira, o líder de uma facção linha-dura de uma conferência separatista, Syed Ali Shah Geelani, disse que seus seguidores permanecem firmes em seus pedido por auto-determinação. Mas o líder de uma facção moderada da conferência recebeu bem a proposta de Musharraf. Abdul Gani Bhat disse que a proposta seria aceitável para tanto para a Índia, quanto para o Paquistão e também a Caxemira, e poderia trazer paz duradoura e uma era de prosperidade. Debate O correspondente da BBC em Islamabad disse que o debate intenso é exatamente o que Musharraf desejou quando revelou sua proposta. Falando na segunda-feira, o presidente disse que "nunca tinha falado desta maneira com ninguém". "Se os dois lados continuarem a manter suas posições, a disputa pode durar cem anos sem solução", afirmou Musharraf. A Caxemira foi o motivo de duas das três guerras que Índia e Paquistão lutaram depois da independência. Desde então, os dois países desenvolveram arsenais nucleares. |
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