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Iraque não tinha armas proibidas, diz relatório oficial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Iraque não possuía armas químicas, biológicas ou nucleares quando foi invadido pelos Estados Unidos, em março de 2003, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira. As conclusões foram apresentadas pelo inspetor-chefe de armas americano no Iraque, Charles Duelfer, diante de um comitê do Senado americano. A avaliação foi realizada por uma equipe de 1,2 mil inspetores. Segundo o relatório, a capacidade nuclear do Iraque foi praticamente destruída na Guerra do Golfo, em 1991. O relatório diz, no entanto, que o governo do ex-líder iraquiano Saddam Hussein pretendia infringir as sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e retomar a produção de armas proibidas. A existência de armas de destruição em massa no Iraque foi uma das razões usadas pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha para justificar a guerra. O assunto se tornou uma das grandes questões na campanha para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, que serão realizadas em novembro. Defesa da guerra O veredicto do relatório foi antecipado desde que David Kay, ex-inspetor-chefe no Iraque, renunciou ao cargo em janeiro. O "vazamento" de um esboço do relatório, no mês passado, também revelou mais detalhes sobre os resultados das buscas. O senador democrata Carl Levin disse que as informações do relatório anulam os principais argumentos do governo americano para a invasão do Iraque. "Nós não fomos à guerra devido às futuras intenções de Saddam em obter armas de destruição em massa", disse Levin. Antes da divulgação do relatório, o presidente americano, George W. Bush, novamente defendeu a invasão do Iraque e disse que era um "risco que os Estados Unidos não poderiam correr". Lista O grupo de inspetores americanos no Iraque também divulgou, nesta quarta-feira, uma lista de organizações políticas e empresariais de vários países que realizaram negócios com Saddam Hussein na época que vigorava o embargo econômico ao Iraque. O ex-líder iraquiano teria oferecido petróleo barato a essas organizações, em troca do apoio delas para tentar acabar com as sanções da ONU. Muitos os citados na lista, compilada a partir de documentos oficiais iraquianos, são de países que se opuseram à ofensiva no Iraque, como a Rússia, a França e a China. Entre os nomes incluídos na lista estão o do político ultranacionalista russo Vladimir Jirinovsky, o ex-ministro do Interior da França Charles Pasqua, e o ex-diretor do programa “petróleo por comida” da ONU, Benon Sevan. O programa permitia ao Iraque comercializar parte de seu petróleo apesar do embargo, em troca de alimentos e outros gêneros de primeira necessidade. |
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