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Atualizado às: 28 de setembro, 2004 - 15h56 GMT (12h56 Brasília)
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Número de mortos no Haiti pode ultrapassar 2 mil
Soldado da ONU em ponto de distribuição de alimentos
Número oficial de vítimas fatais é de, pelo menos, 1514 pessoas
A enchente provocada pela tempestade tropical Jeanne, no Haiti, pode ter causado a morte de mais de 2 mil pessoas, segundo o prefeito de uma das maiores cidades do país.

Calixte Valentin, prefeito de Gonaives, afirmou que corpos ainda estavam sendo encontrados dez dias após a passagem da tempestade.

A Organização das Nações Unidos (ONU) alertou que a situação na cidade é "crítica".

Agentes humanitários disseram que os alimentos ainda não estão chegando nas pessoas rapidamente em meio aos problemas com segurança e de logística causados pela tempestade.

O número oficial de vítimas fatais é de pelo menos 1.514 pessoas, porém mais de 900 ainda não foram contabilizadas.

"É triste, mas a verdade é que os desaparecidos começarão a ser contados entre os mortos ", disse o comandante da força de paz da ONU no país, o general brasileiro Augusto Heleno Ribeiro.

Brigas

Muitos residentes em Gonaives estão sem comida há uma semana.

As tropas da ONU foram mobilizadas para conter brigas entre as pessoas nos pontos de entrega dos alimentos.

No fim de semana, soldados tiveram que disparar tiros para o alto para evitar que pessoas tomassem a comida dos caminhões.

Jean-Claude Kompas, um médico de Nova York que foi para o Haiti, sua terra natal, para ajudar a população, disse à agência Associated Press que atendeu 30 pessoas com ferimentos de bala ocorridos durante as brigas por alimentos.

Jose Manuel Aguilar
Médicos voluntários de Cuba e Venezuela atendem a população

A cidade ainda está sem eletricidade e água potável, além da falta de medicamentos como antibióticos.

Médicos voluntários falam de condições terríveis na medida em que tentam ajudar os sobreviventes em clínicas improvisadas.

Amputações foram feitas em condições primitivas, muitos têm ferimentos infeccionados e há diversos casos de diarréia.

"Não há água limpa. Não há recursos", afirmou o médico Jose Manuel Aguilar à Associated Press em uma tenda, transformada em hospital por médicos cubanos e venezuelanos.

Em imagens
Fotos da passagem da tempestade Jeanne pelo Haiti.
Jezula St FleursHaiti
'As águas levaram embora meu marido e minhas irmãs'.
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