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Atualizado às: 13 de agosto, 2004 - 16h39 GMT (13h39 Brasília)
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Perfil: Al-Sadr é 'presença turbulenta' da era pós-Saddam
Moqtada Sadr
Em junho de 2003, ele estabeleceu uma milícia, o Exército de Mehdi
O clérigo radical xiita Moqtada Al-Sadr tem sido uma presença turbulenta no Iraque desde a queda de Saddam Hussein.

Muitas vezes, ele conclamou uma rebelião nacional contra as tropas estrangeiras e enviou seus militantes para confrontar os "invasores" e a polícia iraquiana.

Em outras, ele apareceu mais comprometido, procurando para si um papel político no novo Iraque.

Acredita-se que ele tenha 30 anos – um líder jovem em uma sociedade que considera idade e experiência essenciais para uma autoridade religiosa.

Nacionalismo

Moqtada Al-Sadr mistura o nacionalismo iraquiano com o radicalismo xiita.

Seu apelo aos xiitas pobres conta muito em sua popularidade. Outros também o consideram um símbolo de resistência à ocupação estrangeira.

Seus oposicionistas o vêem como um radical inexperiente e impaciente, que tem como objetivo dominar à força a instituição xiita mais reverenciada.

O filho mais novo de Muhammad Sadiq Al-Sadr – um clérigo xiita assassinado em 1999, supostamente por agentes do governo iraquiano –, Moqtada Al-Sadr era desconhecido fora do país até a invasão liderada pelos Estados Unidos, em março de 2003.

Nas primeiras semanas após a invasão, seus seguidores patrulharam os subúrbios de Bagdá e distribuíram comida.

Milícia

Seu nome tem, certamente, um poder: o distrito xiita da capital iraquiana, chamado de Cidade de Saddam, foi rebatizado de Cidade de Sadr.

Em junho de 2003, ele estabeleceu uma milícia, o Exército de Mehdi, para confrontar as forças da coalizão e proteger as autoridades xiitas na cidade sagrada de Najaf.

Ele também criou um jornal semanal, Al-Hawzah, que foi fechado pelas autoridades lideradas pelos Estados Unidos em março de 2004, sob acusações de que incitava a violência.

Em julho, o governo iraquiano provisório autorizou a circulação do jornal, mas a publicação não demonstrou interesse em voltar.

Política

Ao contrário dos clérigos mais moderados, como o aiatolá Ali Sistani, Al-Sadr pede que os líderes espirituais xiitas tenham um papel mais ativo para dar uma forma ao futuro político do Iraque.

Nas últimas semanas, sua retórica inflamada contra a presença das tropas estrangeiras parece ter acalmado.

Al-Sadr também pareceu interessado em se unir ao processo político após um porta-voz ter declarado, em junho, que o clérigo planejava criar um partido político para participar das primeiras eleições gerais em janeiro.

Mas, em julho, ele disse, durante um sermão, que o primeiro-ministro Iyad Allawi estava apenas dando continuidade à ocupação liderada pelos americanos.

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