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Iraque perdoa "pequenos crimes" e fecha Al-Jazeera | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo interino do Iraque assinou uma lei que perdoa milhares de pessoas pelo que chamou de "pequenos crimes" no mesmo dia em que mandou fechar a rede de TV Al-Jazeera e no terceiro dia de fortes confrontos com rebeldes em Najaf. O secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, disse estar "extremamente preocupado" com os confrontos em Najaf e ofereceu a ajuda da organização para tentar resolver a crise. O porta-voz de Annan afirmou que todos os esforços devem ser feitos, mesmo que já tarde, para que um cessar-fogo aconteça entre as tropas americanas e militantes aliados ao clérigo Moqtada Al-Sadr. O primeiro-ministro Iyad Allawi disse esperar que a anistia assinada pelo governo interino do Iraque permita a reintegração de "pequenos criminosos" à sociedade. O perdão deve atingir os detentores e comerciantes de pequenas armas e explosivos e os financiadores e ajudantes de insurgentes. Al-Jazeera A medida foi assinada no mesmo dia em que foi determinado o fechamento do escritório da Al-Jazeera em Bagdá por quatro semanas. Allawi acusou a rede de TV árabe de "incitar o ódio e a tensão racial". Com essa anistia, durante um período de 30 dias, os "pequenos criminosos" que se entregarem serão perdoados. Mas, segundo Allawi, todos os "grandes criminosos", como os assassinos, estupradores, saqueadores e todos os que tenham atacado prédios do governo estão excluídos do perdão. "Essa lei é dirigida para indivíduos que cometeram pequenos crimes e que não foram presos ou processados", afirmou Allawi. "Essa ordem foi tomada para que nossos cidadãos voltem à sociedade civil e participem da reconstrução do país, em vez de perder suas vidas em uma causa perdida e sem sentido." A anistia já era discutida desde que o governo interino do Iraque tomou o poder, no dia 28 de junho. Ao falar sobre o terceiro dia de violência em Najaf, o primeiro-ministro iraquiano disse que tudo estava "sob controle". Segundo jornalistas na região, os combates neste sábado pareciam enfraquecidos, se comparados aos de quinta e sexta-feira. A situação, no entanto, permanecia tensa na cidade xiita de Najaf. Um porta-voz do Exército americano disse que 300 simpatizantes do clérigo xiita Moqtada al-Sadr foram mortos, o que foi negado pela milícia de al-Sadr, conhecida como Exército de Mehdi. O prefeito da cidade disse que a milícia deve sair de Najaf em 24 horas, ou enfrentar os bombardeios americanos. Piores combates Os últimos combates em Najaf, que abriga o santuário considerado o mais sagrado para os xiitas, foram descritos como os piores desde a trégua de junho. O acordo de junho pôs fim a dois meses de revolta do Exército de Mehdi contra as forças de coalizão no centro e sul do Iraque. Assessores do clérigo Moqtada al-Sadr pediram ao governo interino que "intervenha para evitar novos ataques americanos". A milícia acusa as tropas americanas de terem danificado um minarete do santuário mais sagrado de Najaf, o mausoléu do imã Ali. Ela convocou os muçulmanos da cidade a "pegarem em armas para defender os locais sagrados contra as forças de ocupação". |
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