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Atualizado às: 17 de julho, 2004 - 18h05 GMT (15h05 Brasília)
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Onda de seqüestros causa crise política em Gaza
Yasser Arafat, presidente da Autoridade Palestina
Arafat rejeitou renúncia de premiê e anunciou revisão da segurança
A Autoridade Palestina mergulhou neste sábado em uma nova crise política desencadeada por uma onda de seqüestros na Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro Ahmed Korei disse que a situação na região é de um "caos sem precedentes" e ofereceu a sua própria renúncia para uma reforma do governo palestino.

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, no entanto, rejeitou a renúncia de Korei e anunciou uma revisão das forças de segurança. Em Gaza, um estado de emergência foi declarado.

Analistas afirmam que os crimes na região aumentaram nos últimos dias em uma tentativa dos grupos militantes de reforçar sua presença nos territórios palestinos diante dos planos de uma retirada israelense de Gaza.

De acordo com David Chazan, correspondente da BBC em Jerusalém, a onda de crimes e a falta de instruções claras de Arafat provocaram a forte reação do primeiro-ministro palestino.

Reforma

Korei descreveu a segurança em Gaza como "um verdadeiro desastre, uma verdadeira catástrofe e uma ilegalidade sem precedentes".

Depois de oferecer sua renúncia, o primeiro-ministro comandou uma reunião de emergência para discutir a resposta do governo à onda de crimes.

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Atiradores palestinos atribuíram seqüestros a corrupção

As autoridades palestinas permanecem reunidas para tratar da crise na região, mas, de acordo com um ministro, não há nenhuma garantia sobre o que vai acontecer ao final das negociações.

Korei quer que Arafat garanta ao primeiro-ministro poderes para lidar com o agravamento da situação da segurança em Gaza.

De acordo com o parlamentar palestino Hanan Ashrawi, se o primeiro-ministro afirma que não tem apoio para realizar suas obrigações, incluido manter a lei e a ordem, "ele deve exigir seus poderes" ou renunciar.

Reestruturação

Arafat decidiu mudar a estrutura das oito organizações que atualmente dividem a responsabilidade pela segurança na Faixa de Gaza e na Cisjordânia – uma medida solicita por observadores internacionais há muito tempo.

Um assessor de Arafat, Nabil Abu Rudeina, disse à agência de notícias francesa AFP que o líder palestino decidiu "com efeito imediato" que os serviços de segurança passarão a ser apenas três: polícia, segurança geral e o serviço de inteligência.

Arafat indicou seu sobrinho Musa como chefe da segurança geral. O general Saeb Al-Ajez vai substituir Ghazi Jabali – o chefe da polícia de Gaza que, na sexta-feira, foi a primeira vítima da onda de seqüestros.

Os seqüestradores, que se identificaram como membros das Brigadas dos Mártires de Jenin, exigiu que Jabali seja investigado em conexão com alegações de corrupção.

Amin Hindi, chefe da inteligência geral palestina, e Rashid Abu Shabak, chefe de segurança preventiva em Gaza, também ofereceram suas renúncias "devido ao estado de caos e à falta de ação da Autoridade Palestina para promover reformas". Arafat, no entanto, rejeitou as renúncias e determinou a permanência de Hindi no cargo.

A lista de seqüestrados em Gaza também incluiu quatro funcionários franceses de agências de ajuda e o coronel palestino Khaled Abu Al-Ula. Todos já foram libertados.

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