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Atualizado às: 06 de julho, 2004 - 12h41 GMT (09h41 Brasília)
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O chute de Foer
Lucas Mendes
Franklyn Foer chuta do meio do campo com seu livro Como o Futebol Explica o Mundo.

Ele é um repórter estrela da revista política The New Republic, que não costuma publicar nada sobre esportes. Franklyn, apaixonado por futebol, pediu uma licença de oito meses e saiu pelo mundo, fazendo a conexão entre o esporte e eventos políticos.

Franklyn tem uma tese. A paixão pelo futebol é tribal, nacionalista e, portanto, antiglobalização.

Cita exemplos fascinantes: Milosevic recrutava seus capangas entre os sérvios mais fanáticos nas torcidas. Os escoceses protestantes até hoje insultam o Papa nos jogos contra os católicos, embora vários jogadores do próprio time sejam católicos.

Na década de 20, um time só de judeus era o maior sucesso da Áustria, mas quando vieram fazer um jogo em Nova York, a metade dos jogadores abandonou o time e decidiu ficar na cidade.

No capítulo sobre o Brasil, não há uma conexão entre nacionalismo e globalização e, sim, entre o esporte e a corrupção dos cartolas.

A estrela é Eurico Miranda do Vasco, mas João Havelange, Ricardo Teixeira e Pelé não escapam do ataque de Foer.

Ele deplora a condição dos estádios, as torcidas magras, a pobreza dos times e a fuga dos jogadores.

Diz que há 5 mil profissionais brasileiros fora do Brasil, mas Foer é tão apaixonado pelo nosso futebol que termina o capítulo ajoelhado, agradecendo a genialidade dos jogadores brasileiros.

As histórias dele são preciosas, mas os números da Eurocopa, entre outros, contrariam a tese central de Foer: 118 milhões de pessoas assistiram a França e a Inglaterra e um número ainda maior assistiu a final entre Portugal e Grécia, dois dos menores e mais pobres países da Europa.

Juntos, eles têm 20 milhões de habitantes. Não era preciso ser português nem grego para assistir o jogo.

Foer erra o gol, mas vale a pena acompanhar a trajetória do chute dele.

PS - O futebol brasileiro, pentacampeão do mundo, gera pouca audiência nos Estados Unidos.

Dois canais da Fox, um em inglês e outro em espanhol, transmitem futebol quase 24 horas por dia, mas o nosso futebol nem chega perto do horário nobre.

Colombianos, mexicanos e salvadorenhos ocupam os melhores horários por causa dos seus respectivos imigrantes, mas por que os argentinos estão nos melhores horários?

Além deles, quase todos os jogos das ligas inglesa, alemã, italiana e holandesa estão disponíveis de graça ou em pay per view.

Os jogos brasileiros, em geral, começam às 11h da noite ou à 1h da manhã e não há pay per view nem nos jogos da Seleção.

É preciso ir a um bar ou restaurante e a oferta é mínima, mesmo em Nova York.

Será mutreta dos cartolas?

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