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Atualizado às: 29 de junho, 2004 - 10h32 GMT (07h32 Brasília)
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Mais ou menos Moore
Lucas Mendes
Michael Moore foi assistir seu Farenheit 11 de Setembro sexta à noite em Manhattan mas no meio da sessão foi reconhecido e aplaudido. Aos berros, pediu que a platéia sentasse e prestasse atenção no filme. Inútil. Moore saiu do cinema mas já sabia que o filme dele ia incendiar as bilheterias.

Num cinema perto da New York University, onde assisti ao filme na quinta-feira, os ingressos esgotaram em todas sessões e o filme foi aplaudido várias vezes. Mesmo num ambiente universitário não é comum um filme ser tão aplaudido mas não chega a ser extraordinário.

Muito mais surpreendente é o sucesso do filme no sul do país, em Estados que elegeram Bush por grandes margens como a Carolina do Norte e em cidades como Fayettteville, onde fica Fort Bragg, um reduto ultraconservador.

Filas, aplausos e protestos dos que não conseguiram entrar porque o filme está sendo exibido em poucos cinemas.

Os canhões republicanos já começaram a disparar contra Moore. David Brooks, colunista do New York Times, neste domingo fez uma lista de referências negativas e debochadas de Michael Moore sobre os Estados Unidos. A tática é pintar o diretor como traidor, frouxo e falso.

Em Dallas, milionários republicanos estão organizando o festival de cinema "American Film Renaissance", onde vão lançar pelo menos dois filmes contra Michael Moore. Um deles é Michael Moore Hates America (Michael Moore odeia a América). Moore acha que é uma ficção.

O outro filme é Michael and Me (Michael e Eu) e disseca o outro documentário de Moore, Tiros em Columbine. O diretor, à la Moore, embosca o diretor de Farenheit e pergunta se ele sabe quantos americanos usaram armas para se defender. Moore não soube responder.

Para um cinema politicamente alienado como o americano, 2004 é uma misteriosa exceção. Além de Farenheit 11 de Setembro e dos filmes anti-Moore, pelo menos outros 14 documentários e ficções políticas foram ou serão lançados este ano, entre eles o Candidato da Manchúria, com Denzel Washington e Merryl Streep. Uma safra inédita de política nas telas. Será o Iraque?

PS - Havia tanta procura de ingressos para o Farenheit que o cinema no Village proibiu guardar lugar mas a mulher achou que depois de sentada podia levantar para comprar pipoca e deixar o marido protegendo a cadeira dela.

Um minuto depois dela levantar chegou outra mulher e tentou sentar mas o marido disse não. O bode estava armado. Ela chamou o subgerente, que chamou o gerente, que manteve a lei. Era proibido guardar lugar. Nem para ir ao banheiro. Cinco minutos depois do bate-boca, chega a mulher carregada de pipocas e refrigerantes:

- Quem é esta mulher? O que ela está fazendo no meu lugar? Clima de farenheit.

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