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Atualizado às: 24 de junho, 2004 - 15h56 GMT (12h56 Brasília)
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Vida na Chechênia é marcada por tensão e desesperança

Homem armado na Chechênia
Ataques contra as forças russas são quase diários
Moscou diz que a vida na Chechênia está ficando mais segura, cada vez mais normal.

Mas normal não é como você descreveria nossa jornada através do país.

Estou sentado em um ônibus do Exército russo.

Enquanto chacoalhamos pela estrada poeirenta, o ônibus é acompanhado por quatro carros de polícia, e na frente do comboio está um veículo blindado e uma dúzia de soldados das forças especiais.

Alguns vestem máscaras negras. Todos estão pesadamente armados com Kalashnikovs.

Armas, granadas e equipamento militar são imagens que ainda dominam a região.

A jornada é tensa. Os militares nos advertem de que a estrada pode ser perigosa.

Depois de atacarem a república russa vizinha Inguchétia, os rebeldes separatistas estão voltando para o território checheno e tomaram dois caminhões cheios de armas – o que não é indício de que a vida na região esteja ficando mais segura.

Quando nós chegamos à capital, Grozny, os sinais são de normalidade.

Há um agitado mercado de rua onde você pode comprar latas de refrigerante e sorvetes, tráfego nas ruas e um café.

Mas também há um profundo sentimento de desespero.

Não existe um único prédio na rua que não tenha sido retorcido e enegrecido por foguetes e bombas.

Poucas pessoas têm emprego ou esperança.

“Nasci e cresci aqui”, diz um homem chamado Shadip, esperando em um ponto de ônibus.

“Sou filho de um camponês simples. Mas não há vida aqui e nada de bom no horizonte.”

A Chechênia continua traumatizada pela violência. Os rebeldes fazem ataques quase diários às forças russas.

Grupos de defesa dos direitos humanos registram casos de tortura e execuções sumárias, e tem havido uma onda de seqüestros.

Até a administração chechena, pró-Moscou, admite que quase 2 mil pessoas desapareceram desde 1999.

Alu Alkhanov é o chefe de polícia da república e o homem que o Kremlin estaria apoiando como o próximo presidente da Chechênia.

“Infelizmente, abusos de direitos humanos vêm acontecendo e nós os constatamos ainda hoje”, ele me disse.

“Cada incidente é examinado cuidadosamente e investigações criminais são abertas. A prática de punições excessivas naturalmente ajuda a aumentar o número de rebeldes.”

Apesar das dificuldades inimagináveis enfrentadas pelos que permanecem, não há escolha mas seguir em frente, como é o caso de Hava, uma jovem auxiliar de escritório na administração local.

“Viver na Chechênia significa ser muito corajoso”, ela diz.

“É perigoso viver aqui e acho que sou como todos na Chechênia. São todos heróis, porque vivem aqui.”

No final do dia, no quartel principal de Grozny, os soldados que tinham nos acompanhado até a Chechênia estão finalmente descansando, assistindo um jogo da Eurocopa 2004 na televisão.

Quando falei com eles mais cedo, poucos pareciam surpreendidos com os acontecimentos na Inguchétia e, como os chechenos de Grozny, poucos parecem acreditar que uma paz duradoura seja iminente.

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