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Lula faz 'contato pessoal' em NY com investidores | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma comitiva de sete ministros chegaram na noite da terça-feira a Nova York com a missão de assegurar a grandes investidores que o atual governo tem condições de garantir a estabilidade da economia e melhorar o ambiente de negócios no Brasil. Grande parte das empresas que vão participar, nesta quarta-feira, do Encontro de Alto Nível para Investidores, cerca de 500, segundo informações do governo brasileiro, já têm negócios no Brasil e vêm acompanhando o desempenho do país. No entanto, analistas do mercado dizem que esse tipo de encontro é importante para que os investidores tenham uma impressão pessoal do governo brasileiro e possam tirar dúvidas sobre o país, principalmente a respeito dos marcos regulatórios (o conjunto de regras dos setores regulados por agências, como energia e telefonia). O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, concorda com investidores sobre a necessidade do "contato pessoal". "O contato com as matrizes (das empresas investidoras) é importante para que haja certeza sobre a estabilidade política e o marco regulatório. O contato pessoal com o presidente e a possibilidade de entrevistas privadas com vários ministros faz com que o diálogo flua e facilite a tomada de decisões no futuro", disse o ministro à BBC Brasil. Estabilidade Além dele, também participam do encontro os ministros da Fazenda, Antonio Palocci; do Planejamento, Guido Mantega; das Minas e Energia, Dilma Roussef; do Turismo, Mares Guia; da Agricultura, Roberto Rodrigues, e da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. Lula abre o encontro às 9h30 (hora local, 10h30 em Brasília) e depois fazem suas palestras os ministros Palocci, Mantega e Furlan. O economista-chefe para a América Latina do Banco Goldman Sachs, Paulo Leme, disse que os investidores querem ouvir garantias de estabilidade e evolução no marco regulatório brasileiro. "Os investidores querem previsibilidade para definir o destino de seu dinheiro", disse o analista. Leme observa que os executivos também querem sentir como está a disposição do governo brasileiro. "Ter um encontro pessoal e direto com os responsáveis pelo gerenciamento do país é um coisa muito positiva" diz. Economia real Para o economista-chefe para a América Latina do Banco HSBC, Paulo Vieira da Cunha, o contato pessoal com as autoridades brasileiras é a coisa mais importante do encontro em Nova York. O analista observa que a maioria das empresas convidadas para o evento é da "economia real", ou seja, não são do setor financeiro. "Para o pessoal do setor financeiro, que negocia títulos do Brasil, esse encontro só tem importância se tiver alguma surpresa significativa. Ou o anúncio de algo novo, que não deve acontecer, ou uma declaração malfeita de alguma autoridade, o que também não esperamos que aconteça." No caso das empresas da economia real, Cunha diz que algumas dúvidas em relação a marcos regulatórios podem ser esclarecidas, mas diz que a percepção pessoal das autoridades vai ser algo muito importante. "Essas empresas têm seus escritórios e executivos no Brasil e sabem o que está acontecendo no país", disse. Dúvidas Furlan disse que o grupo de empresas que vai participar do encontro é muito heterogêneo e que as dúvidas também devem ser sobre assuntos muito variados. "Empresas de software devem ter questões sobre o sistema tributário, e as companhias que trabalham no setor de serviços públicos esperam esclarecimentos sobre o marco regulatório", disse o ministro. "Os investidores também querem inormações sobre isenções à importação de máquinas e equipamentos e outros benefícios tributários". "E de maneira geral todos querem saber sobre o futuro. Temos de mostrar que o governo está comprometido com a estabilidade macroeconômica e em condições de promover o crescimento." Remessas Depois de participar do encontro com investidores, Lula participa, na City University de Nova York, do lançamento de um serviço da Caixa Econômica Federal para o envio ao Brasil de remessas de dinheiro de brasileiros vivendo no exterior. O presidente tem também reuniões com um secretário do Tesouro americano, John Snow, e com dirigentes do Citigroup. Na quinta-feira, Lula faz uma apresentação no Fórum Global Compact, da Organização das Nações Unidas (ONU), que reúne líderes empresáriais de todo o mundo para uma discussão a respeito da responsabilidade social das empresas. |
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