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Liberalização não beneficiou maioria, diz Lula | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que a liberalização comercial não trouxe os benefícios esperados para a maioria das pessoas. “O comércio mundial não se transformou em motor de desenvolvimento para a maioria”, disse Lula. “As fontes de financiamento e de investimento continuam concentradas nos países desenvolvidos.” “A liberalização de nossas economias não contribuiu para a diminuição dos desequilíbrios macroeconômicos, financeiros e tecnológicos.” O presidente pediu um comércio mais justo e fluxos financeiros mais estáveis e voltou a fazer o convite para que os líderes mundiais se reúnam em Nova York, antes da Assembléia Geral da ONU, para discutir iniciativas de combate à fome e à pobreza. “A fome passa a ser tarefa e responsabilidade daqueles que comem”, disse o presidente. “Quem está com fome não faz revolução, passa à submissão total e não tem como reagir a políticas injustas.” Mais dinheiro Lula e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, abriram nesta terça a sessão de debates sobre combate à fome no mundo durante a reunião da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Annan defendeu a participação do setor privado no combate à fome. “Precisamos de criatividade, de idéias que sejam não apenas viáveis mas que também tenham a chance de conquistar grande apoio político e a participação do setor privado”, disse o secretário-geral da ONU. “Novos recursos são necessários com urgência.” Apoio do Estado Lula, por sua vez, criticou a liberalização econômica da forma como foi feita até hoje. “Nos países em desenvolvimento, onde a liberalização ocorreu sem o apoio do Estado, houve mais incerteza”, disse o presidente. “O comércio mundial não se transformou em motor de desenvolvimento para a maioria. As fontes de financiamento e de investimento continuam concentradas nos países desenvolvidos.” O presidente também defendeu a necessidade de mecanismos financeiros internacionais que incentivem o desenvolvimento e voltou a defender mudanças nas regras do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que investimentos não sejam considerados como gastos nas contas públicas. “Pedi a presidentes e chefes de Estado com influência no FMI para que instruam seus representantes no Fundo a levar em conta a necessidade de diferenciar o chamado gasto com uma piscina na casa de uma autoridade de gasto em infra-estrutura, como numa hidrelétrica, numa hidrovia ou numa ferrovia”, disse. Ele reconheceu as dificuldades para que essa mudança seja feita. “Depende de uma boa briga, mas uma boa briga fortalece a democracia e as instituições”, disse Lula. |
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