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Esperada autobiografia de Clinton começa a ser vendida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Algumas livrarias de Nova York e Washington ficaram abertas até a zero hora desta terça-feira (hora local na costa leste americana, 1h no horário de Brasília) para vender os primeiros exemplares da esperada autobiografia do ex-presidente Bill Clinton. A editora responsável pelo livro de 957 páginas, intitulado My Life (Minha Vida), anunciou ter impresso 1,5 milhão de exemplares na primeira edição – um novo recorde, superando o 1,2 milhão de tiragem inicial do livro Crossing the Threshold of Hope (Cruzando o limiar da esperança, em tradução livre), escrito pelo papa João Paulo 2º e lançado em 1994. De acordo com a agência de notícias Associated Press, apenas as vendas em adiantado do livro chegam a 2 milhões, superando o número impresso na primeira edição. No entanto, a imprensa americana divulgou críticas duras do novo livro. “Desleixado e egocêntrico” O crítico do The New York Times Michiko Kakutani disse que o livro é “desleixado, egocêntrico e freqüentemente entediante”. “De muitas formas, o livro espera a presidência de Clinton: falta de disciplina que leva a oportunidades perdidas; grandes expectativas prejudicadas pela egolatria e pela pouca concentração.” David Kirkpatrick, também do The New York Times, destacou que “em um momento em que correligionários democratas comemorar o retorno de seu campeão Bill Clinton ao centro das atenções, em tempo para ajudar na campanha (do pré-candidato democrata à presidente, John Kerry), muitos de seus velhos antagonistas estão se mobilizando de novo”. Kirkpatrick notou que, durante uma entrevista que Clinton concedeu neste domingo a uma TV americana para promover a autobiografia, um grupo conservador fez veicular uma propaganda alegando que o ex-presidente foi responsável por não evitar os ataques de 11 de setembro de 2001 no país. O popular apresentador de rádio de direita Rush Limbaugh foi além e fez um trocadilho sarcástico com o livro, chamando-o de My Lie (“Minha Mentira”, em vez de My Life, o título original da autobiografia). Vida pessoal John Harris, do The Washington Post, disse que Clinton costumava reclamar durante sua presidência que suas batalhas pessoais com seus adversários políticos ocultaram seus feitos políticos e as medidas que adotou. Durante sua presidência, Clinton pensava que era de seu interesse não alimentar o desejo insaciável da mídia e do povo em saber mais sobre sua vida privada. “Como autor, ele e seu editor decidiram que interessante eram revelações sobre adultério, crise conjugal e como adultos lidam com os efeitos de uma infância difícil”, disse Harris, salientando que o livro sofre com isso. “Alguns assessores de Clinton que leram cópias antecipadas do livro concluíram que ele a metade sobre a juventude e o período pré-presidência de Clinton foi narrada com mais detalhes evocativos e habilidade do que a metade sobre sua presidência, que foi escrita nesta primavera sob a pressão do prazo (para entregar o livro) se acabando”, completou, ecoando um tom comum nas críticas iniciais da obra. Mas o livro, ainda assim continua gerando grande interesse e, como excreveu a jornalista Alyson Ward no jornal Miami Herald, “ame-o ou odeie-o, você não será capaz de evitar Bill Clinton nesta semana”. |
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