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Comércio aproxima Brasil e Colômbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As divergências políticas e os pequenos incidentes diplomáticos surgidos nos primeiros meses de mandato dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez, foram superados. Em nome do aprofundamento das negociações comerciais e da paz na região, o ex-líder sindical e o político de direita protagonizam a melhor fase da relação entre os dois países, segundo analistas. No início da noite desta segunda-feira, Uribe chega a São Paulo para participar de mais um encontro com Lula. "Há uma aproximação dos dois lados”, afirma o analista Diego Cardona. “Apesar das diferenças, eles entenderam que uma série de temas devem ser tratados conjuntamente”. Aproximação Cardona diz que o receio de que Lula se aliaria aos guerrilheiros colombianos não existe mais no país. Segundo ele, hoje as pessoas se deram conta que o governo brasileiro não é marxista ou a favor das Forças Armadas Revolucinárias da Colômbia (Farc). Encontros entre presidentes e representantes dos dois governos aumentaram muito nos últimos tempos. Lula esteve duas vezes na Colômbia como presidente. Esta é a segunda visita oficial de Uribe ao Brasil. “Num momento crítico, na segunda metade dos anos 90, não ocorreram reuniões bilaterais durante quase quatro anos”, lembra Cardona. “Agora, há muitas. A aproximação é muito grande. O Brasil deve ser um dos países fundamentais num provável processo de aproximação entre o governo colombiano, as Farc e a Organização das Nações Unidas (ONU)”. Sivam Na reunião entre Lula e Uribe, entrarão em discussão temas como a situação política da região, a fronteira compartilhada pelos dois países, o trafico de drogas e de armas e a crise no setor do café. “O tratado de livre comércio entre a Comunidade Andina (Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador e Peru) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) é um avanço para toda a região”, afirmou Uribe. “Este será o assunto principal da reunião com o presidente Lula”. Os dois presidentes deverão também analisar a utilização por parte da Colômbia do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e o controle do comércio do tráfico de armas. Uribe também pedirá ao Brasil que aprove seus tratados de interdição aérea, para a destruição de aviões utilizados por narcotraficantes. A Colômbia, castigada por uma guerra interna na qual guerrilheiros de esquerda, paramilitares de direita e forças estatais se enfrentam há 40 anos, é o maior produtor mundial de cocaína. Rota O narcotráfico, que já se estende além das fronteiras da Colômbia com seus vizinhos, afetou o Brasil, segundo a percepção colombiana. Autoridades colombianas acreditam que a zona de selva compartilhada pelos dois países é utilizada por traficantes para escoar drogas até o exterior, principalmente para os Estados Unidos e a Europa. Segundo Jorge Garavito Durán, embaixador da Colômbia no Brasil, também será discutida uma possível linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamento da compra de equipamentos para a produção de álcool como combustível. Políticas para solucionar a crise do setor cafeicultor e a promoção conjunta do café brasileiro e colombiano em novos mercados devem ser analisadas. Acompanhado por uma centena de empresários colombianos, o presidente Uribe inaugura na terça-feira a primeira rodada de negócios Brasil-Colômbia, no Hotel Hilton Morumbi, em São Paulo. Comércio O encontro tem como objetivo melhorar a relação comercial entre os dois países, que, apesar de compartilharem uma fronteira de 1.645 quilômetros, é praticamente nula. No ano passado, enquanto a Colômbia exportou para o Brasil o correspondente a US$ 91,4 milhões, importou US$ 769 milhões. “Depois desta rodada de negócios, o intercâmbio será maior”, prevê Liliana Patricia Miranda Ruiz, diretora da Câmara de Comércio Colombo-Brasileira. “Os empresários vão estar mais seguros. Vão ter mais confiança para fechar qualquer tipo de negócio”. Hoje, o Brasil é o sócio comercial número 20 da Colômbia, comprando apenas 1,2% de todas as exportações do país andino. Nas mais de 300 reuniões que serão realizadas amanhã, os empresários colombianos de 15 setores industriais diferentes deverão tentar melhorar este quadro. “O interesse em fortalecer o comércio bilateral sempre existiu”, afirma Luz Angela Castro, gerente da Proexport, entidade promotora das exportações colombianas. “Mas, a vontade política só está sendo evidenciada neste governo. Somente agora, os dois países acreditam que podem vir a ser sócios comerciais muito importantes”. Luz Angela destaca a decisão do governo brasileiro de substituir importações de outras regiões do mundo com produtos originários dos países vizinhos. “A intenção é tornar mais eqüitativo o comércio com os países da América do Sul”, diz. “A rodada de negócios com exportadores e importadores de todos os países do continente, dias 23 e 24, também será uma grande oportunidade para os empresários colombianos. Serão dois eventos comerciais em um só”. Entre os principais produtos que a Colômbia exporta para o Brasil estão petróleo e seus derivados, plásticos e farmacêuticos. Do lado brasileiro, os principais itens da pauta de exportação são preparações para bebidas, telefones, tecidos, veículos, pneus e aviões. |
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