|
A Semana: Militantes ameaçam desestabilizar a Arábia Saudita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O processo de transição política no Iraque mal começou, e o mundo já começa a vislumbrar uma nova crise de conseqüências imprevisíveis no Oriente Médio. A semana que termina mostrou que militantes islâmicos parecem mais determinados do que nunca a desestabilizar um dos países vizinhos do Iraque e berço da própria rede Al-Qaeda: a Arábia Saudita. Na sexta-feira, depois de dias de tensão, membros da Al-Qaeda anunciaram ter cumprido a ameaça de assassinar o engenheiro americano Paul Marshall Johnson. O engenheiro, de 49 anos, havia sido tomado pelos militantes no último sábado, na capital saudita, Riad. Na terça-feira, seus seqüestradores anunciaram que iriam executá-lo dentro de três dias, caso o governo saudita não libertasse todos os membros da Al-Qaeda mantidos em prisões do país. Diante da reivindicação, que dificilmente seria aceita por qualquer governo, a expectativa já não era de um desfecho feliz para o episódio. Na cidade de origem de Johnson, Eagleswood, no Estado americano de Nova Jersey, a população rezava por sua libertação. Sua mulher pediu por sua vida em uma entrevista a uma rede de TV árabe. Na sexta-feira, na saudita Meca, a cidade mais sagrada do islamismo, o xeque Saleh Bin Abdullah Bin Humaid fez um último apelo aos seqüestradores. Afirmou que o assassinato de uma pessoa sob custódia era um pecado tão grave quanto o politeísmo. E, em Riad, milhares de agentes de segurança realizaram buscas em vários pontos da cidade, durante toda a semana, na tentativa de encontrar o cativeiro do americano. Em vão. Johnson acabou sendo decapitado por seus algozes. Ataques a estrangeiros O dramático desfecho do seqüestro de Paul Johnson é apenas o mais recente caso de violência contra ocidentais no reino saudita. Na semana passada, dois americanos foram assassinados no país por homens armados. Dias antes, dois colegas da BBC foram vítimas de um ataque a tiros na capital saudita. O cinegrafista Simon Cumbers morreu, e o correspondente Frank Gardner ainda luta pela vida num hospital da cidade.
No final de maio, um grupo de militantes matou 22 estrangeiros de várias nacionalidades em um ataque em Khobar. A maioria das vítimas trabalhava para a indústria do petróleo do país. Atentados a bombas também deixaram dezenas de mortos nos últimos meses. A mais recente série de ataques contribuiu para a alta do petróleo no mercado internacional e fez muitos questionarem se o governo saudita terá capacidade de evitar uma crise política ainda maior. Dono de 25% das reservas mundiais e maior exportador de petróleo do planeta, o país caminha para se tornar a maior preocupação do governo americano na região. A família Al-Saud está à frente de um regime absolutista num país onde é praticada uma das formas mais conservadoras do islamismo. A realeza saudita é também um histórico aliado de Washington, o que desagrada o saudita Osama Bin Laden e seus seguidores. Essa combinação, aliada ao cenário desenhado desde a Guerra do Golfo, de 1991, quando começou a presença militar americana na Arábia Saudita, deixa a situação política no país cada vez mais explosiva. Saddam e Al-Qaeda: o veredicto Boa parte do mundo já estava convencida disso, mas nos Estados Unidos o tema continuava dividindo a opinião pública. Na semana que termina, veio a conclusão oficial, feita por uma comissão de investigação americana: o regime de Saddam Hussein no Iraque não teve nenhuma participação, direta ou indireta, nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
A conclusão, divulgada na quarta-feira, levou a oposição democrata a repetir o discurso de que o governo de George W. Bush enganou os americanos ao indicar que Saddam havia de algum modo ajudado a rede Al-Qaeda nos ataques. Mas o presidente Bush não se intimidou. Na quinta-feira, falando a jornalistas, reafirmou a tese de que o ex-presidente iraquiano mantinha ligações com o grupo de Osama Bin Laden. A partir de 1º de julho, com um novo governo no Iraque, os americanos terão a chance de provar na Justiça o que alega Bush. Como lembrou nesta semana a Cruz Vermelha, com o fim formal da ocupação americana, os Estados Unidos terão de escolher: ou julgam Saddam Hussein num tribunal ou o libertam de vez. O futuro da Europa A semana que termina foi de ressaca para a União Européia. No fim-de-semana anterior, a eleição para o Parlamento do bloco teve participação decepcionante dos eleitores. Na Eslováquia, um dos dez novos países da União Européia, apenas 17% dos eleitores votaram. Para piorar, a maioria dos que participaram entregou seus votos a partidos de oposição aos governos nacionais, principalmente em países mais influentes, como a Grã-Bretanha e a França. Mas, na sexta-feira, veio o momento de alívio, quando os 25 países-membros chegaram a um acordo histórico sobre a primeira Constituição do bloco.
O texto da Carta européia foi definido ao final de uma reunião de dois dias em Bruxelas (Bélgica), com a participação dos chefes de governo europeus e marcada por alguns discursos apaixonados. Esse conjunto de leis, que regulamentará o funcionamento da União Européia, tem sido descrito por seus defensores como essencial para a existência do bloco que, em 1º de maio, passou de 15 para 25 membros. A Constituição ainda precisará ser aprovada pelos países-membros, por meio de votações em seus Parlamentos nacionais ou até mesmo possíveis plebiscitos. Mas a obtenção de um acordo, num tema tão polêmico, já representa um grande avanço para os que acreditam no futuro de uma Europa unida. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||