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Análise: Apatia e protesto marcam eleição européia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma campanha sem entusiasmo resultou na eleição de um Parlamento europeu fragmentado, com muitos desconhecidos e políticos alçados por disputas políticas nacionais. O novo Parlamento é uma imprevisível mistura de elementos favoráveis a uma Europa unida e eurocéticos. Como antes, há uma maioria de conservadores e liberais, além de membros a favor do mundo dos negócios. Em seguida, o maior grupo continua a ser o dos social-democratas europeus. Novos membros Os novos Estados-membros da União Européia (UE), vindos do Leste, viram o fortalecimento da centro-direita, assim como o crescimento de eurocéticos contrários a uma "união política". O Parlamento continua sem políticos renomados capazes de chamar a atenção da imprensa e da população européia. O trabalho parlamentar continuará sem nenhuma mudança de orientação relevante. Ele vai aprovar novas leis sobre produtos químicos da indústria, rótulos dos alimentos, padrões de segurança e saúde e outras regras do mercado comum da UE. Imagem arranhada O eleitores exerceram o seu direto de protestar contra o seus governos nacionais, derrotando-os de Paris a Berlim, de Varsóvia a Londres. Mas a eleição não teve, na verdade, uma disputa em torno de questões européias. O verdadeiro derrotado após uma abstenção recorde (apenas 45% dos registrados votaram) é o próprio Parlamento e sua imagem pública. O resultado demonstra que não haver ainda o respeito dos eleitores com relação a um Parlamento que cria leis para toda a UE e afirma representar a voz do povo. A necessidade de os parlamentares ficarem viajando entre as duas sedes em Bruxelas (Bélgica) e Estrasburgo (França) e vários escândalo sobre o uso indevido do dinheiro dos contribuintes queimaram a imagem da instituição. Constituição E haverá provavelmente mais problemas. Líderes dos governos da UE esperam finalizar um acordo sobre a Constituição do bloco numa cúpula nesta semana. O documento propõe dar ao Parlamento um papel ainda maior, dentro de seu plano de formar uma democracia paneuropéia. O Parlamento ganharia mais poderes para fazer regulações européias, decisões orçamentárias e cumprir algumas funções atualmente atribuídas aos legislativos nacionais. Mas os resultados desta eleição trazem novas dúvidas sobre as chances de criação de uma democracia internacional num continente com tantos idiomas. Os eleitores mostraram mais uma vez que enxergam a União Européia como algo remoto, distante de suas vidas. O novo Parlamento parece ser resultado de um voto de protesto de cidadãos irritados com a atuação de seus governos durante a guerra do Iraque e em outros assuntos desconectados dos trabalhos do Parlamento europeu. E ainda levará meses para que os 732 membros recém-eleitos de 25 países comecem a conhecer uns aos outros. |
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