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Clérigo detido é líder islâmico mais notório da Grã-Bretanha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Abu Hamza Al-Masri, preso nesta quinta-feira na Grã-Bretanha, é um dos mais notórios clérigos islâmicos do país. Visto com desconfiança por boa parte da própria comunidade islâmica, Hamza é acusado pelo governo americano de envolvimento no seqüestro de cidadãos ocidentais no Iêmen e de fornecer apoio à organização extremista Al-Qaeda. O clérigo nega as acusações, embora tenha manifestado publicamente a sua aprovação aos atentados de setembro de 2001 em Nova York e Washington. O governo britânico diz que só vai extraditar Abu Hamza se os Estados Unidos se comprometerem a não puni-lo com pena de morte, em caso de condenação. Embora tenha nascido no Egito, Abu Hamza tinha cidadania britânica, condição que lhe tiraram na audiência que deve abrir caminho para o processo de extradição. 'Capitão Gancho' Aos 47 anos de idade, Abu Hamza já causa impacto pela sua figura física. Além de um olho de vidro, ele tem um gancho no lugar da mão direita. As perdas do olho e da mão, que lhe valheram o apelido de Capitão Gancho na mídia britânica, teriam ocorrido em uma explosão no Afeganistão, enquanto tentava limpar um campo minado para os mujaheddin. Ele viajara para o país no início dos anos 90 para ajudar na resistência à ocupação soviética. Abu Hamza também diz ter trabalhando pela comunidade islâmica na Bósnia. Em Londres, onde se instalou em 1979, Hamza chegou a trabalhar como porteiro, embora tivesse planos de se tornar um engenheiro civil. Segundo a sua ex-mulher, a inglesa Valerie Fleming, Hamza ficou mais radical depois do casamento deles, que durou cinco anos. Suspeitas Em 1999, o clérigo foi interrogado pela polícia britânica, por causa de suspeitas do seu envolvimento em atentados no Iêmen. Ele ficou preso por vários dias, mas acabou sendo liberado sem nenhuma acusação formal. No mesmo ano, o seu filho, Mohammed Mustafa Kamel, também acusado de terrorismo, foi condenado a três anos de prisão no Iêmen. Ele voltou para Londres depois de cumprir a sentença. Além de pregar o islamismo em uma mesquita, Abu Hamza dirigia um grupo que defendia a implementação da lei islâmica, a Sharia. Entre as suas declarações controversas, ele fez elogios a Osama Bin Laden e advertiu o governo britânico sobre as conseqüências de atacar o Iraque. Em 2002, Hamza participou de uma manifestação convocada por um grupo simpatizante da Al-Qaeda, mas sempre negou insinuações americanas de que ele recrutaria extremistas para atentados. Atitudes como essas foram condenadas fora e dentro da comunidade islâmica e, em fevereiro de 2003, ele foi impedido de pregar na mesquita que freqüentava. Ainda assim, Abu Hamza continou expressando as suas visões radicais por outros meios. O ministro britânico da Justiça, David Blunkett, diz acreditar no envolvimento do clérigo – que a maioria dos muçulmanos diz representar apenas uma pequena parcela dos seguidores da religião – em atividades terroristas, mas todas as tentativas de destitui-lo da cidadania britâmica e extraditá-lo para o Iêmen haviam falhado. A apelação da decisão contra a sua extradição estava prevista para janeiro de 2005. |
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