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'Gaza lembra o Holocausto', diz ministro israelense | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Justiça de Israel, Yosef Lapid, irritou seus colegas de gabinete ao dizer que a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza o fez lembrar das desgraças sofridas por sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Lapid, que é um sobrevivente do Holocausto, disse em entrevista na rádio oficial das Forças de Defesa de Israel que as imagens transmitidas na televisão de uma idosa palestina em meio a escombros despertou memórias de sua avó nos tempos da guerra. "Estou falando de uma mulher engatinhando e procurando remédios nas ruínas da sua própria casa, e isso me fez pensar na minha avó", afirmou. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, repreendeu Lapid, que negou estar fazendo comparações entre a ocupação israelense em Gaza e o Holocausto. 'Tribunal de Haia' Nos últimos dias, tropas de Israel têm demolido dezenas de casas no campo de refugiados de Rafah. Na entrevista, Lapid também revelou que o Exército quer demolir cerca de 2 mil casas em Rafah para alargar a chamada estrada de Philapelphi, na fronteira com o Egito. Lapid descreveu um encontro que teve com os demais ministros israelenses: "Eu disse que se continuarmos agindo assim, vamos ser expulsos da ONU e aqueles que forem responsáveis serão julgados no Tribunal de Haia". O ministro da Justiça, que é líder do partido centrista Shinui, viveu parte da Segunda Guerra Mundial em um gueto judeu em Budapeste. Ele perdeu vários familiares durante o Holocausto, entre eles uma avó, que morreu no campo de concentração de Auschwitz. Mas Lapid insistiu que, nesta entrevista, "não estava falando da Alemanha nem dos nazistas". Tabu Fontes ligadas a políticos israelenses, citadas pela agência de notícias Reuters, afirmaram que Sharon ralhou com Lapid em uma reunião do gabinete, dizendo que seu depoimento foi "inaceitável e intolerável". Segundo correspondentes da BBC em Israel, o uso do genocídio de judeus em debates políticos é considerado um tabu por muitos israelenses, que enxergam o fato como uma "desvalorização" da memória das vítimas do Holocausto. Na sexta-feira, forças israelenses se retiraram de partes de Rafah depois de três dias de confrontos e demolições, nos quais mais de 40 palestinos morreram. A política de destruir casas palestinas tem sido duramente condenada. Israel diz estar tentando manter a segurança da fronteira com o Egito para evitar o contrabando de armas para a Faixa de Gaza. |
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