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Atualizado às: 29 de abril, 2004 - 16h05 GMT (13h05 Brasília)
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Legado da morte de Senna ainda assombra Fórmula 1
Carro de Senna após acidente em Ímola
Morte de Ayrton Senna mudou para sempre a história da Fórmula 1
Dez anos depois da morte de Ayrton Senna, a Fórmula 1 se reuniu para o Grande Prêmio de San Marino no último fim de semana de abril para lembrar a perda do piloto e o legado deixado pelo brasileiro.

Os fantasmas de uma década atrás foram inevitáveis no circuito de Ímola, onde Senna morreu depois de perder o controle de sua Williams na curva Tamburello, durante a prova realizada em 1º de maio de 1994.

Desde então, a Fórmula 1 nunca mais foi a mesma, e Ímola ilustra bem isso. As mudanças realizadas no trajeto da pista transformaram o circuito em uma sombra de sua antiga grandeza.

Em 1994, Tamburello era uma curva para a esquerda a uma velocidade de mais de 305 km/h. Agora, é uma inofensiva chicane – como muitas outras em diversos circuitos ao redor do mundo.

Devaneio

A prova de 1994 foi a primeira corrida em 12 anos em que um piloto morreu. Na época, a Fórmula 1 começava a acreditar que era tão segura que as mortes já eram história.

Acidente de Barrichello em 1994, em treino para o GP de San Marino
Barrichello sofreu acidente violento em treino para a prova de 1994

A categoria acordou desse devaneio com o início de um fim de semana de tanta tristeza que aqueles que testemunharam tudo o que ocorreu dificilmente esquecerão. Em três dias, a Fórmula 1 virou de cabeça para baixo.

Primeiro, Rubens Barrichello ficou ferido e inconsciente depois de bater sua Jordan com uma violência impressionante no treino de sexta-feira.

O fato de o brasileiro ter escapado sem sofrer ferimentos graves, no entanto, parecia reforçar a tese de como a Fórmula 1 havia se tornado segura – uma ilusão que foi destruída para sempre quando o novato piloto austríaco Roland Ratzenberger morreu em um acidente no dia seguinte.

Senna visitou o local do acidente – 200 metros adiante do ponto onde ele próprio morreria – e por algumas horas cogitou a possibilidade de não disputar a prova que seria realizada no dia seguinte, e até mesmo abandonar a carreira.

No entanto, após uma conversa no final da noite com Frank Williams, Senna resolver ir em frente.

Choque

A atmosfera sombria daquela corrida ficou ainda pior quando um acidente na largada lançou um pneu na arquibancada e deixou diversos espectadores feridos.

Túmulo de Ayrton Senna, em São Paulo
Morte de Senna causou sensação de choque e angústia no Brasil

Após seis voltas atrás de um safety car, a corrida recomeçou e, uma volta depois, veio o acidente que tirou a vida do homem que muitos consideravam o maior piloto da história do automobilismo. O choque que o episódio despertou provocou efeitos em todo o mundo.

No Brasil, a sensação de choque e angústia foi acompanhada por dias de luto nacional.

Na Europa, as manchetes de alguns jornais exigiam a proibição de corridas automobilísticas, e a Itália iniciou uma investigação sobre as causas do acidente.

Em 1999, o processo inocentou o diretor técnico da Williams, Patrick Head, e o projetista Adrian Newey, hoje na McLaren, das acusações de homicídio culposo – que até hoje assombram os dois.

Damon Hill

Em um artigo publicado no jornal britânico The Times, o piloto Damon Hill, companheiro de Senna na Williams, disse acreditar que o brasileiro foi o responsável pelo acidente que causou sua morte.

"Estou convencido de que ele cometeu um erro, mas muitas pessoas nunca acreditariam nisso", disse Hill. "Por que não? Ele cometeu muitos erros em sua carreira."

Damon Hill e Ayrton Senna
Para companheiro de Senna, brasileiro cometeu um erro

O piloto britânico afirma que seu companheiro simplesmente entrou na curva muito rápido para as condições naquele momento.

"Eu ouvi e li teorias sem fim sobre por que ou como ele poderia ter batido em uma curva tão 'simples' como a Tamburello", escreveu Hill, campeão mundial da Fórmula 1 em 1996.

"Ninguém, além de Ayrton Senna e de mim, sabe o que era dirigir aquele carro, naquela curva, naquela corrida, naquele dia, com pneus frios."

"Ele era identificado com a busca do limite e a superação. Ele freqüentemente preferia bater em seu oponente a ser derrotado", disse o britânico. "Não foi por culpa de mais ninguém que ele manteve o pé embaixo quando ele poderia ter levantado."

"Essas opiniões são um sacrilégio no mundo dos deuses do automobilismo", acrescentou Hill. "Ayrton era um grande piloto e um homem com uma enorme humanidade. Ele não era um deus. Ele era tão frágil e vulnerável como você ou eu."

Novas regras

Na Fórmula 1, depois dos acidentes em Ímola, os reguladores da categoria iniciaram uma série de mudanças nas regras com o objetivo de tornar os carros mais seguros.

Senna passou a sua última manhã em encontros com outros pilotos, determinado pelo acidente de Ratzenberger a assumir a responsabilidade de perseguir mudanças por mais segurança na Fórmula 1.

A diferença passou a ser o fato de que, a partir de então, ficou claro, de uma forma dolorosa, que, qualquer que seja o risco inerente às corridas, a idéia de um homem morrer em uma prova de Fórmula 1 se tornou inaceitável para muitos dos admiradores da categoria.

A prova em Ímola provocou uma mudança de filosofia, e atualmente o órgão que controla a Fórmula 1 tem perseguido o objetivo de tornar a categoria mais segura de forma tão agressiva quanto em 1994.

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