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Coréia do Norte é um dos Estados mais fechados do mundo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Coréia do Norte é dos Estados mais fechados e autoritários do mundo. Seu governante, Kim Jong-il, está à frente de um dos regimes mais repressores do mundo, que é acusado, regularmente, de gritantes violações dos direitos humanos. A vida é difícil no país, que tem 23 milhões de habitantes, com uma grande proporção ainda vivendo na zona rural - onde a população ainda tenta se recuperar da escassez de alimentos que gerou crises ao longo da década de 90. O país é profundamente isolado do exterior, tanto do ponto de vista econômico como cultural. "O povo norte-coreano tem pouco contato com o mundo exterior", diz Richard Willoughby, que é autor de um guia de viagem sobre a Coréia do Norte. "Eles não têm acesso à televisão, ao rádio ou a jornais internacionais", afirma Willoughby. "Eles têm imprensa estatal doméstica, mas nada muito controvertido é noticiado." Segundo o correspondente da BBC Francis Markus, que assiste a programas da TV estatal na Coréia do Sul, as transmissões parecem estar sendo feitas em uma outra era. A programação é antiquada e as notícias são centradas em ações do Estado. Desde que ocorreu o incidente com dois trens no país que pode ter matado centenas de pessoas, a TV não falou nada sobre o assunto e tem noticiado apenas os supostos avanços da visita do líder Kim Jong-il à China, que acabou no mesmo dia da explosão dos trens. Transporte difícil Há outras restrições que também limitam a liberdade e o volume de informações que chegam aos norte-coreanos. "A maioria das pessoas precisa de autorização para entrar e sair das grandes cidades", diz Willoughby. Mesmo quem consegue obter a documentação necessária para viajar tem que enfrentar um sistema de transporte muito básico. "Pouca gente tem carro, não há serviço de ônibus e o transporte aéreo é extremamente limitado", ainda segundo Willoughby. "O serviço de trens melhorou nos últimos anos, mas ele ainda é debilitado pela falta de combustíveis." Devido a sanções dos Estados Unidos e países vizinhos, a Coréia do Norte sofre de crônica falta de energia elétrica. Vida extravagante Não é fácil para os norte-coreanos encontrar estrangeiros. Qualquer potencial visitante precisa enviar os detalhes do passaporte antecipadamente, assim como seu currículo e uma carta da empresa onde trabalham. E apesar do surgimento de telefones celulares em algumas áreas do país nos últimos anos, muito pouca gente tem condições de contatar quem está no exterior. Jasper Becker, autor de um livro a ser lançado sobre a Coréia do Norte chamado Rogue State (Estado Fora da Lei, em uma tradução livre), diz que a falta de informações é apenas uma das dificuldades do povo em geral. "A Coréia do Norte é o lugar mais miserável da Terra", diz ele. "Milhões de pessoas morreram de fome desde o colapso da economia, em meados da década de 80." "Centenas de milhares estão tentando fugir do regime brutal do país, que controla as pessoas por medo." Diplomatas e dissidentes que conseguiram deixar o país descrevem o líder Kim Jong-il como um homem vão, paranóico, com uma queda especial por óculos escuros, filmes de Hollywood e brandy francês. Também o descrevem como alguém que leva uma vida extravagante e que mantém centenas de mulheres - supostamente para prestar serviços sexuais - na folha de pagamento do Estado. Mas analistas não estão certos em relação ao que está por trás dessa fachada. Willoughby disse que Kim Jong-il é mais pragmático do que pode parecer. Ele já teria fracassado em tentativas de democratizar o país por causa de militares poderosos que estão preocupados com a eventual perda de influência com uma abertura. |
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