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Bush apóia plano unilateral de Sharon e revolta palestinos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente americano, George W. Bush, declarou apoio nesta quarta-feira às controversas propostas do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de retirar assentamentos e tropas de territórios palestinos de forma unilateral. Após encontro com Sharon, na Casa Branca, Bush classificou de "histórico e corajoso" o plano de "desengajamento" de Sharon, que prevê a retirada de todos os assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e a manutenção de seis blocos de colônias na Cisjordânia. "Se todas as partes optarem por aproveitar esse momento, podem abrir a porta para o progresso e pôr um fim a um dos conflitos mais longos do mundo", afirmou Bush. Os palestinos, que reivindicam o direito de participar de decisões israelenses que os afetam, condenaram as declarações de Bush, alegando que elas põem o perigo o processo de paz. Mudança de postura O presidente americano não expressou a sua opinião sobre o que deveria ser feito com os assentamentos na Cisjordânia, mas a sua declaração de que um acordo de paz deverá refletir "as grandes mudanças na região" foi entendida por alguns analistas como uma menção ao grande número de assentamentos judaicos hoje existentes na região. De acordo com essa interpretação, Bush estaria defendendo que ao menos parte da Cisjordânia deve ficar sob controle israelense, o que significaria que os palestinos não teriam direito a toda a faixa de terra na fronteira com a Bush também adotou a posição israelense em questões historicamente sensíveis nas negociações com os palestinos, como o direito de retorno dos refugiados e as fronteiras históricas de Israel e as de um eventual Estado palestino. O presidente americano disse que palestinos que tiveram deixar suas terras em 1948, quando Israel foi criado, deveriam voltar para o Estado palestino, e não para Israel, como pedem os palestinos. Sobre as fronteiras, Bush disse que "não é realista" esperar que Israel retroceda às fronteiras de 1949, aparentemente refutando as reivindicações palestinas dos territórios ocupados por Israel na guerra de 1967 – naquele ano, Israel tomou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, também reivindicada pelos palestinos. Em relação ao muro que corta a Cisjordânia, Bush disse que a medida deve ser apenas temporária. O correspondente da BBC em Washington Jon Leyne diz que Bush deu a Sharon praticamente tudo o que ele queria, indo mais longe no apoio a Israel do que qualquer outro presidente americano. Na avaliação de Leyne, a postura de Bush muda de forma definitiva as negociações de paz na região. Se as declarações de Bush soaram como música aos ouvidos de Sharon, que terminou o encontro sorrindo e dizendo-se "encorajado", elas causaram revolta entre os palestinos. O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, acusou Bush de desrespeitar resoluções das Nações Unidas, acordos internacionais e o próprio plano de paz que o governo americano havia apoiado, junto com a União Européia e a Rússia. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também expressou apoio ao plano de Sharon nesta quarta-feira. Blair disse que a comunidade internacional deveria aproveitar o momento para injetar vida nova ao processo de paz. |
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