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Atualizado às: 07 de abril, 2004 - 10h03 GMT (06h03 Brasília)
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Crise de energia na Argentina pode afetar Chile e Uruguai

Linha de transmissão de energia
Crise teria sido provocada pela falta de investimentos e pelo crescimento econômico argentino
As conseqüências da crise energética argentina geram preocupação por parte de especialistas do próprio país e queixas dos seus parceiros do Cone Sul, especialmente o Chile e o Uruguai.

Os dois vizinhos são dependentes da energia argentina. E não são apenas os possíveis cortes de energia que incomodam, mas principalmente os efeitos da crise no desempenho da economia destes países.

Entrevistados pela BBC Brasil, especialistas chilenos e economistas uruguaios e argentinos concordaram que o maior temor é com os prováveis efeitos negativos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) desses países.

Pedro Maldonado, professor da Universidade do Chile, onde é coordenador de um de um programa sobre a questão energética, disse que a crise energética argentina deve levar também a um reajuste nas tarifas de energia chilenas.

Reajuste

Segundo Maldonado, o Chile importa da Argentina quase todo o gás natural usado para eletricidade e também para o abastecimento doméstico.

No curto prazo, o professor acredita que possíveis apagões no Chile estariam descartados, já que as centrais elétricas contam com regime de conversão para carvão ou diesel, dependendo da região.

O problema, explicou, é que esses itens são mais caros e menos eficientes que o gás natural. Por isso, a expectativa é que a crise energética argentina provoque aumento nos preços da eletricidade no Chile.

Chile
População: 15 milhões
Crescimento previsto para 2004: 4,5%
Importa 97% do petróleo que necessita (50% da Argentina)

E, dependendo do percentual estabelecido, também nos preços gerais da economia. A estimativa do governo, contou Maldonado, é de que o ajuste nas tarifas de energia elétrica ficará entre 3% e 5%.

Dependência

Mas esse percentual poderia ser maior, dependendo do impacto e do percentual total de redução do envio do gás argentino para o mercado chileno.

Para o professor chileno, o Chile também cometeu um erro, que agora, na crise energética argentina, está ficando evidente. Maldonado acha que a falha que ocorreu ao "não se diversificar e assim enfrentar" a dependência energética Argentina ou de qualquer país.

O ministro da Economia do Chile, Jorge Rodríguez, informou à imprensa so país que a Argentina está aumentando o racionamento para seu país de 2,3 milhões de metros cúbicos, estabelecido na semana passada, para um total de 3,3 milhões de metros cúbicos. Ainda não se sabe o efeito prático dessa redução em termos técnicos.

Em termos políticos, ela provocou a reclamação pública do presidente Ricardo Lagos em entrevistas, no fim de semana, a emissoras de rádio de seu país. Ele teria dito que a crise energética argentina "diminuiu a confiança entre os dois países".

Uruguai

O Uruguai depende mais da eletricidade do que do gás argentino, já que somente recentemente passou a ser coberto pela sua rede de energia.

Uruguai
População: 3 milhões
Crescimento previsto para 2004: 7%

O economista uruguaio Adrían Fernández entende que é cedo para avaliar os efeitos da crise energética na economia do seu país.

"O Uruguai está numa etapa de franca recuperação econômica depois de um longo período de recessão", disse.

Na semana passada, o Brasil socorreu a Argentina, evitando um blecaute no país vizinho.

Histórico

A crise, segundo o governo argentino, foi provocada pela falta de investimentos no setor e pelo crescimento de quase 9% da economia.

As autoridades do país dizem que a situação, que levou o país a restringir a exportação de gás para o Chile e a importar energia do Brasil, deve ser resolvida rapidamente.

Mas nem todos concordam com isso, como é o caso do economista argentino Pablo Rojo, da ala opositora ao governo.

Segundo ele, a crise vai durar entre 18 meses e 24 meses, o que aumenta a chance de que a crise tenha efeitos negativos sobre a economia de outros países.

Rojo também aponta a falta de reestruturação dos contratos e dos preços das tarifas após a desvalorização do peso, em janeiro de 2002, como fatores que impediram, segundo ele, a realização dos investimentos necessários para evitar a crise.

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