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Blair inicia encontro histórico com Gaddafi | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, iniciou nesta quinta-feira seu encontro histórico com o presidente líbio, Muammar Gaddafi. Espera-se que Blair ofereça treinamento militar da Grã-Bretanha ao Exército da Líbia durante o encontro. No caminho para encontrar Gaddafi em uma tenda de beduínos nos arredores da capital, Trípoli, Blair passou por locais que foram bombardeados pelos americanos em 1986. A polêmica visita à Líbia é mais um passo na retomada das relações diplomáticas entre a Líbia, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha após a decisão dos líbios, em dezembro, de desmantelar todos os seus programas de armas químicas, biológicas e nucleares. Treinamento e contratos Blair defendeu o encontro, dizendo que estava oferecendo "nossa mão em parceria" a Estados que desistem do terrorismo e proíbem armas de destruição em massa. "Isso não significa esquecer a dor do passado, mas reconhecer que é preciso seguir em frente", afirmou Blair. Além de treinamento militar, que pode incluir visitas de oficiais líbios à academia de Sandhurst, na Grã-Bretanha, a Líbia espera apoio britânico para relaxar as restrições internacionais impostas ao país. Empresas britânicas também devem explorar oportunidades comerciais no país. A gigante do petróleo Shell assinou um contrato para exploração na costa Líbia, em um acordo avaliado em até US$ 850 milhões (cerca de R$ 2.500 bilhões). Ousadia A visita foi criticada por políticos e alguns parentes das vítimas dos atentados de Lockerbie, atribuído à Líbia. O analista político da BBC Guto Harri comentou que a reunião entre os dois líderes é "uma das manobras mais ousadas" do premiê britânico. Para Harri, Blair está "apertando as mãos de um homem que foi visto por décadas como uma encarnação do terrorismo". Esta é a primeira visita de um primeiro-ministro da Grã-Bretanha a Tripoli desde a independência da Líbia, em 1951. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também gerou polêmica ao visitar o país, em dezembro. O ex-embaixador britânico na Líbia Oliver Miles tem dúvidas sobre o encontro de Blair com Gaddafi. "Não quero dizer que acho isso um erro porque acredito que o principal ponto é que estamos certos em buscar essa reconciliação. O método e o tempo ficam abertos à discussão", comentou. O Partido Conservador descreveu a visita como altamente questionável e afirmou que a Grã-Bretanha não deveria esquecer que, no passado, a Líbia apoiou o terrorismo. |
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