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EUA exibem 'segredos nucleares' da Líbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Trata-se de uma das instalações mais secretas e mais protegidas dos Estados Unidos. Fica no subúrbio da cidade de Oak Ridge, em um bonito vale entre as colinas verdejantes do leste do Estado americano do Tennessee. É conhecida apenas como Y12. A Casa Branca organizou um vôo lotado de jornalistas, que partiu de Washington para Y12, para uma visita. O objetivo era mostrar o material do programa de armas nucleares da Líbia enviado aos Estados Unidos para avaliação e destruição. O esquema de segurança é rigoroso - o que pouco surpreende. O local é onde é processado o urânio para o arsenal nuclear americano - e onde foi enriquecido o urânio para a bomba que destruiu Hiroshima, em 1945. Na entrada do complexo, há uma placa que diz: "Pense Segurança, Viva Segurança". E, depois, vem a advertência verbal. Um representante entrou em nosso ônibus para nos dizer que nós não podíamos filmar nem gravar nada além do evento programado no local. 'Pense Segurança' O local do evento era estranho - uma grande tenda branca armada no meio de um estacionamento cercado de guardas fortemente armados.
Dentro da tenda, havia cerca de 48 engradados que continham material enviado pelos líbios, de acordo com as autoridades locais. A maioria dos engradados estava lacrada, havia 12 tubos em exibição. Fomos informados que eram centrífugas usadas para fazer urânio para armamentos. Nosso guia era o secretário americano de Energia, Spencer Abraham, que disse que o que estávamos vendo era apenas uma fração do equivalente a cerca de 25 toneladas de equipamento enviado pelos líbios. Outras 500 toneladas chegariam nos dias subseqüentes. O resto do material era secreto, disse Abraham. Abandonado As centrífugas em si não aparentavam nada de especial. Para um leigo, pareciam artefatos econtrados em qualquer fábrica. Mas Abraham insistiu que a Líbia tinha todos os componentes necessários para produzir uma arma nuclear. Nenhum dos vários representantes oficiais lá podia nos explicar o quão perto a Líbia estava de fazer uma arma dessas. Um representante chegou a dizer que acreditava que a Líbia estava perto de produzir uma arma dessas antes do que o Iraque, há um ano. Nós também recebemos explicações detalhadas sobre quem estava por trás do programa nuclear da Líbia - e sobre como ele acabou sendo abandonado. Um dos representantes mais graduados disse que quase todo o know-how nuclear da Líbia veio de uma rede controlada pelo conhecido cientista nuclear AQ Khan. Foi um trabalho lucrativo - o representante disse que os líbios pagaram à rede cerca de US$ 100 milhões por seus serviços. Cooperação Os Estados Unidos alegam que o programa foi abandonado por duas principais razões: porque as agências de inteligência dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha descobriram que ele existia e até interceptaram material, e porque o coronel Muammar Khadafi havia visto o acúmulo de forças lideradas pelos Estados Unidos no Golfo Pérsico e ficou temeroso de que seria o alvo seguinte. Os líbios receberam muitos elogios pelo que foi repetidamente descrito como sua cooperação ativa no desmantelamento de seu programa de armas desde a decisão do coronel Khadafi de abandoná-lo, em dezembro passado. A visita dos jornalistas em Oak Ridge foi considerada por muita gente um golpe de propaganda em uma semana em que a administração de Bush marca - e defende - o começo da guerra contra o Iraque. Talvez. Mas funcionários do governo americano em Oak Ridge insistiram que o desarmamento da Líbia ainda é um passo significativo. |
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