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Atualizado às: 21 de março, 2004 - 07h41 GMT (04h41 Brasília)
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Supremo Tribunal de Taiwan manda lacrar urnas
Taiuanês
O Supremo quer preservar possíveis provas de irregularidades
O Supremo Tribunal de Taiwan determinou que todas as urnas das eleições presidenciais fossem lacradas para preservar possíveis provas de irregularidades – como havia sido pedido pelos advogados da oposição.

O presidente Chen Shui-bian foi reeleito em Taiwan no sábado com uma margem de 30 mil votos de vantagem – menos de 0,5% dos votos –, na eleição mais disputada da história do território.

O candidato derrotado, Lien Chan, do partido Kuomintang, considerou o resultado injusto e exige a recontagem dos votos.

Cerca de 330 mil votos foram invalidados no pleito – o equivalente a 11 vezes a vantagem conseguida por Shui-bian nas urnas.

Pouco tempo depois do anúncio do resultado das eleições, várias partes da ilha foram palco de protestos, e analistas temem uma divisão de Taiwan.

Revolta

Segundo o correspondente da BBC em Taipé, Angus Foster, entre 2 mil e 3 mil simpatizantes do Kuomintang protestaram na manhã deste domingo em frente ao palácio presidencial do território.

O prédio foi cercado por centenas de policiais, que montaram barreiras com arame farpado, mas não houve confronto.

Já na terceira maior cidade de Taiwan, Taichung, centenas de manifestantes pularam a cerca de um prédio da Justiça e quebraram vidraças com as próprias mãos.

Na cidade portuária de Kaohsiung houve cenas semelhantes, com manifestantes tentando romper o cordão de isolamento montado pela polícia em frente à sede da Justiça.

As pesquisas de opinião davam um ligeira liderança ao candidato oposicionista, mas analistas dizem que a tentativa de assassinato contra o presidente e sua vice pode ter-lhes conferido mais simpatia do eleitorado.

Embora mais de 13 milhões de pessoas tenham votado para presidente – mais de 80% do eleitorado –, o outro pleito de sábado, um referendo sobre a ampliação ou não da defesa do território e a retomada de negociações de paz com a China, não teve quórum suficiente.

Era necessária a participação de 50% dos eleitores para que o referendo fosse validado.

Alívio

O fracasso dos planos de defesa contra a China deve ser recebido com alívio pelos chineses.

Já a vitória de Shui-bian deve ser interpretada como uma derrota, que vê o atual presidente com desconfiança por causa de medidas que o governo chinês vê como pró-independência do território.

No atentado de sexta-feira, Shui-bian foi baleado na barriga e a vice-presidente, Annette Lu, foi ferida no joelho.

Ninguém assumiu a autoria do crime. Uma investigação foi iniciada, e uma recompensa está sendo oferecida por informações sobre o autor do crime.

Chen Shui-bian e sua vice foram levados a um hospital e liberados em seguida. O presidente teve que se submeter a uma cirurgia para retirar o projétil que se alojara na barriga.

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