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Atualizado às: 19 de março, 2004 - 14h54 GMT (11h54 Brasília)
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Iraque é cenário das guerras do pós-guerra

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Resistência aos americanos representa dois conflitos distintos
É possível descrever a situação no Iraque como a guerra do pós-guerra, mas a insurgência contra os soldados americanos e da coalizão é na verdade duas guerras, duas campanhas distintas.

Uma é direcionada contra os soldados americanos e da coalizão. Tem seu próprio ritmo de altos e baixos, na medida em que as táticas dos dois lados mudam e se adaptam à última ameaça.

Mas há uma segunda campanha, de organizações que trabalham nas sombras e que é direcionada contra a população civil iraquiana, ou pelo menos contra a maioria xiita.

Uma guerra quer enfraquecer e tirar o controle da situação das forças de ocupação, a outra quer semear a divisão, talvez até levar o país à guerra civil.

Começar de novo

A invasão do Iraque pelas forças americanas e britânicas foi rápida e decisiva. Ela se desenrolou muito mais rapidamente do que muitos esperavam, incluindo aí vários dos militares americanos que a planejaram.

As Forças Armadas iraquianas, assim como todo o edifício do Estado iraquiano, caíram como um castelo de cartas.

Em alguns lugares, houve uma breve, mas séria resistência. Soldados irregulares leais ao regime de Saddam Hussein resistiram em várias cidades ao avanço das tropas americanas.

Isto, alguns temiam, seria um prelúdio do que poderia acontecer quando as tropas americanas chegassem à Bagdá. Mas o "Estalingrado do Tigre" não se concretizou, e o colapso do Iraque foi completo.

Pode ser que tenha sido até completo demais. Os estrategistas do Pentágono esperavam herdar algum tipo de governo funcional. Ao invés disto, tiveram que criar um novo.

Soldados americanos
Soldados americanos são alvo de insurgentes

Agora, as indicações são de que as tropas de coalizão vão ficar no Iraque por um período considerável de tempo.

É verdade o que os porta-vozes americanos sempre estão prontos a repetir: que trata-se de uma coalizão. Mais de 30 países estão representados em terra, mesmo que a maior parte dos soldados seja formada por americanos.

Isto não vai mudar, com ou sem a saída da Espanha, ou com a aprovação de uma nova resolução da ONU que altere o status das forças de ocupação.

Processo gradual

Se os americanos quiserem reduzir o número de seus soldados - e eles iriam adorar poder levar para casa uma quantidade significante de tropas - vão ter que buscar os substitutos junto às forças locais iraquianas, não junto aos aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Um grande número de iraquianos estão sendo treinados como soldados, guardas de fronteira, policiais, etc. Ataques contra centros de recrutamento e indivíduos não reduziram o número de pessoas que querem ser recrutadas.

Afinal de contas, são empregos com bons salários em um país que está desarticulado.

O quão capazes seriam estas forças locais de lidar com o problema da segurança no Iraque é uma questão aberta. De qualquer forma, este será um processo gradual.

As pessoas se perguntam se os Estados Unidos serão capazes de manter o compromisso pelo tempo necessário. Com certeza, desde que o público americano esteja pronto para aceitar o pinga-pinga de vítimas.

iraq police
Muitos iraquianos são treinados para trabalhar na polícia

Como o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, conhecido por falar duro, disse outro dia: se os Estados Unidos não puderem manter 120 mil soldados no Iraque, com mais de 2 milhões de soldados, então há algo errado com o Pentágono.

Há tensão? Claro. As famílias (leia-se: eleitores) estão preocupadas? Claro. Este vai ser um tema da eleição? Vai, mas como o tema vai influenciar as eleições é difícil prever.

Os americanos tendem a aceitar muito mais facilmente do que os europeus que a questão do Iraque e a guerra contra o terrorismo se confundem.

E pode ser que ataques a bomba e novas ameaças de terrorismo na Europa convençam muitos americanos de que, apesar de todos os problemas no Iraque, a estratégia atual (leia-se: a estratégia de Bush) é a única disponível.

O problema do senador John Kerry é convencer os eleitores de que existe uma abordagem alternativa igualmente firme e audaz.

Na verdade, em termos de opções no Iraque, é difícil imaginar como uma administração Kerry seria diferente de uma segunda administração Bush.

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