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Madri pára pelos desaparecidos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dia depois das bombas em Madri, centenas de pessoas continuam à procura dos seus parentes e conhecidos. Nas primeiras horas, as equipes de resgate descreveram uma cena que se repetia incessantemente: telefones celulares de vítimas tocando, sem resposta. Para muitos, o próximo passo foi estudar as listas de internados nos hospitais ou as fileiras de corpos no necrotério improvisado pelas autoridades espanholas no pavilhão de exposições Juan Carlos. Há cerca de 40 médicos-legistas trabalhando para tentar identificar os restos mortais das vítimas, enquanto o governo pede à população para verificar as listas de feridos atualizadas pelo Ministério do Interior da Espanha. Calcula-se que mais de 300 pessoas estejam internadas nos hospitais de Madri no momento. Cidadania Assistentes sociais narraram às agências de notícia histórias dramáticas de pessoas que tiveram de ser consoladas depois de descobrir que nunca mais vão ver os familiares dos quais se despediram de manhã, acreditando que partiam para mais um dia de trabalho. Muitas famílias estão sem dormir há mais de 20 horas. A mãe de um dos passageiros do trem que explodiu ao entrar na estação de Atocha disse à agência Associated Press que seu filho ficou com um pedaço de metal alojado muito próximo a um órgão vital e que não pode receber visitas. "Estamos esperando o dia inteiro para vê-lo", disse a mãe. Pessoas de 11 nacionalidades estão entre as vítimas. Alguns deles eram imigrantes ilegais. O primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, disse que eles ganhariam a cidadania espanhola imediatamente. Homenagens Enquanto as forças de segurança prosseguem com a investigação, os espanhóis iniciam nesta sexta-feira um período de luto de três dias. Em respeito às vítimas do que a imprensa espanhola está chamando de "11 de setembro espanhol", bancos, escolas e museus ficarão fechados. O governo espanhol está convocando manifestações em toda a Espanha para as 19h desta sexta-feira (hora local, 13h em Brasília). Mensagens de solidariedade do mundo inteiro estão sendo enviadas à Espanha. O presidente americano, George W. Bush, disse ao rei Juan Carlos que os Estados Unidos estão fortemente solidários com o povo espanhol. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apelou pela união de "toda a comunidade internacional" contra o terrorismo. Os atentados em Madri foram o pior ataque terrorista na história da Espanha e os que mataram mais gente na Europa desde a explosão do avião em Lockerbie, na Escócia, em 1988. No atentado de Lockerbie, 270 pessoas morreram. |
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