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Atentados em Madri: Quem é o culpado? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Duas teorias paralelas surgiram sobre quem estaria por trás dos atentados de quinta-feira em Madri. As autoridades espanholas deixaram claro que acreditam que acreditam que o grupo separatista basco ETA foi o responsável pelas dez explosões. Mas, se o ETA foi de fato o culpado, o fato de o grupo ter coordenado explosões quase simultâneas marca um aumento sem precedentes de sua crueldade e da escala de seus ataques. Alguns analistas disseram que os atentados tiveram as características da rede Al-Qaeda, que ameaçou buscar vingança contra a Espanha depois que o governo do país apoiou a invasão e ocupação do Iraque por forças americanas. Mensagem Na noite desta quinta-feira, uma mensagem atribuída à Al-Qaeda e enviada a um jornal de Londres aparentemente reivindicava responsabilidade pelos atentados. Mas, representantes do governo americano disseram à BBC que a alegação de envolvimento da Al-Qaeda deve ser tratada com cuidado. Eles disseram que não é hábito da Al-Qaeda reconhecer a sua responsabilidade tão cedo, e a investigação ainda está começando. O ministro do Interior da Espanha, Angel Acebes, disse que uma fita cassete contendo uma gravação em árabe foi encontrada em uma vã roubada juntamente com detonadores. O veículo foi encontrado em Alcalá de Henares, uma cidade perto de Madri, de onde três dos quatro trens onde foram detonadas bombas haviam partido. O outro trem havia passado pela cidade. A polícia espanhola recebeu ordens de não ignorar qualquer linha de investigação na busca dos responsáveis pelo pior atentado terrorista da história da Espanha. "Resistência árabe" Antes de as bombas terem sido detonadas nas estações de trem na capital espanhola, muitos observadores vinham flertando com a idéia considerar o ETA uma ameaça do passado. No ano passado, apenas três pessoas morreram em ações de nacionalistas bascos – o mais baixo número em 30 anos. Todavia, de acordo com Mia Soar, editora para a Europa da publicação especializada em segurança Jane's Sentinel Security Assessment, a repressão por parte dos governos da Espanha e da França pode ter levado ao surgimento de novos líderes do ETA, adeptos de métodos mais brutais. "Houve tantas prisões que ocorreu uma constante transferência de liderança, e (a liderança) parece ter se renovado", disse."Eles têm muitos jovens no topo, substituindo os velhos. Isso poderia explicar as novas táticas."
"Essas pessoas podem não ser conhecidas pelas autoridades, porque o ETA sempre trabalhou com células de quatro ou cinco. O ETA tem o conhecimento, sabe como explodir bombas com dispositivos de tempo ou à distância, ou mesmo com o uso de telefones celulares. O grupo não usa ou precisa de suicidas." "E (a organização) já havia mostrado interesse em realizar atentados com bombas em trens. Dois de seus membros foram presos no último Natal planejando um ataque assim. E também tinha os meios, como ficou claro quando foi encontrada uma van cheia de explosivos." O analista da BBC Paul Reynolds acha que o caráter devastador dos ataques em Madri abrem a possibilidade de que, mesmo que eles de fato tenham sido obra do ETA, eles tenham sido inspirados pelas ações da Al-Qaeda. "Causa comum" Sebastian Balfour, professor de estudos contemporâneos da Espanha da London School of Economics, disse que as recentes apreensões de explosivos feitas pela polícia espanhola são uma indicação da mudança de estratégia do ETA, abandonando alvos específicos para espalhar violência em massa. Mas a escala do estrago deixa para trás qualquer coisa que o ETA tenha feito no passado e, se foi o grupo o culpado, teria sido estranho que nenhum alerta foi divulgado. A realização de atentados coordenados com o uso de bombas também tem mais a ver com a Al-Qaeda do que com extremistas bascos. O forte apoio dado pelo primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, à ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque tornou o país suscetível a ataques de grupos extremistas islâmicos. Além disso, células da Al-Qaeda foram identificadas na Espanha no passado. Em novembro de 2001, as autoridades do país prenderam oito homens suspeitos de ser membros da organização – um dos quais, aparentemente, também tinha ligações com o Batasuna, o braço político do ETA. De acordo com outro analista da BBC, Frank Gardner, um cenário de pesadelo para as autoridades espanholas seria a existência de algum tipo de colaboração entre o grupos islâmicos e bascos adeptos de práticas extremistas. Gardner disse que acontecimentos recentes no Iraque mostraram como grupos diferentes podem trabalhar juntos por uma causa comum. |
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