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Ex-preso de Guantánamo diz que foi 'torturado' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dos cinco britânicos que foram libertados da prisão na Baía de Guantánamo disse que foi torturado e maltratado por guardas americanos durante o período em que esteve no campo de prisioneiros em Cuba. Jamal Udeen disse ao jornal londrino Daily Mirror que tinha ido ao Paquistão para estudar a cultura islâmica, mas foi preso depois de ter atravessado por engano a fronteira do país com o Afeganistão. Ele foi mantido priosioneiro por dois anos pelos Estados Unidos, que negam as alegações de maus tratos no campo de priosioneiros de Guantánamo. Urdeen, de 37 anos, disse que apanhou de guardas que estavam em uniforme e usando equipamentos de tropa de choque. 'Tortura psicológica' Os Estados Unidos transferiram Udeen para a Grã-Bretanha na última terça-feira, pois ele é considerado de baixo risco, segundo os americanos. Ele disse que os guardas tentaram obter dos prisioneiros confissões de coisas que eles não tinham feito. Durante os interrogatórios, os prisioneiros eram algemados e presos a anéis de metal fixados ao chão, segundo Udeen, que tem três filhos. Mas ele acrescentou que "apanhar não era tão ruim quanto a tortura psicológica. Ferimentos se curam depois de uma semana, mas o resto permanece com você". "E tudo em Guantánamo se destinava a atingir você psicologicamente." Um porta-voz do Comando do Sul dos EUA em Miami contestou as alegações. "Tratamos os detidos de forma justa e humana, de acordo com a Convenção de Genebra", disse ele à BBC News Online. No entanto, Udeen disse que os internos eram mantidos em gaiolas de metal com assoalho de concreto e nenhuma proteção contra o tempo. Ele alega que a água era cortada nas celas antes do horário de orações, de tal forma que os priosioneiros muçulmanos não podiam fazer abluções, como determina sua religião. Segundo Udeen, a recreação dos prisioneiros correspondia a ter permissão de caminhar para cima e para baixo em uma pequena faixa de cascalho. "Na verdade, eles disseram: 'Aqui vocês não têm direitos'. Depois de um tempo, paramos de pedir por direitos humanos, queríamos os direitos dos animais", contou Udeen ao Mirror. Ele disse ter sido acorrentado e interrogado pela CIA e pelo FBI em 40 ocasiões e que, mais tarde, foi também interrogado por oficiais do MI5 (serviço secreto britânico). Bombardeios "Eles me perguntavam: Você é um terrorista? Eu respondia: Não, me tirem daqui", relatou Udeen ao jornal. Ele é designer de sites na internet e se converteu ao islamismo quando tinha 23 anos. O ex-prisioneiro disse que seu pesadelo começou quatro dias depois do início de sua viagem à fronteira do Paquistão com o Afeganistão. Ele contou que resolveu sair quando os americanos começaram a bombardear posições do Talebã na região. Ele então pagou um motorista de caminhão para que o levasse para a Turquia, sem se dar conta que esse roteiro o levaria para o Afeganistão. Segundo Udeen, primeiro ele foi preso pelo Talebã sob suspeita de ser um espião. Quando os americanos chegaram, ele teria sido transferido para um "campo de concentração" antes de ser levado para Cuba. Udeen disse ter concordado em contar sua história ao Mirror para chamar atenção para a situação vivida por aqueles que ainda estão presos em Guantánamo. |
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