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Atualizado às: 11 de março, 2004 - 18h49 GMT (15h49 Brasília)
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Horror e solidariedade tomam conta de Madri

Vítima da explosão em Madri
Policiais, bombeiros, enfermeiros, jornalistas e vítimas, muitas vítimas, repetiam frases de horror.

“Uma cena dantesca”, descrevia o Chefe dos Bombeiros de Madri, Juan Redondo.

O maior atentado da história da Europa aconteceu em Madri entre 7h35min e 7h55 (hora local, 3h35 e 3h55 em Brasília), com 13 explosões quase simultâneas em vagões de trem que levavam estudantes e trabalhadores.

Cinco horas mais tarde eram 182 mortos, 898 feridos e o número de vítimas continuava aumentando com os trabalhos de resgate.

Os explosivos estavam em quatro mochilas colocadas em três trens. Uma no primeiro vagão, outra no penúltimo e duas em vagões centrais.

Foram explosões seguidas, com intervalos de quatro a cinco minutos, e não havia forma de socorrer a todos. Isso apesar de a primeira ambulância ter chegado quatro minutos depois da primeira explosão.

“Uma carnificina”, foi o que definiu o chefe dos bombeiros. “Nunca imaginei uma coisa dessas. Qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade acaba chorando. Tenho muitos anos de profissão e jamais vi coisa parecida. Havia até pedaços de corpos no teto, de gente que saiu voando na explosão.”

Atocha

As duas primeiras explosões ocorreram na maior estação ferroviária da Espanha, Atocha, no centro da cidade.

Elas pegaram centenas de trabalhadores e estudantes madrilenhos que íam para a Universidade de Alcalá de Henares, destino final do trem.

A segunda foi na parada de Santa Eugênia, a menos de mil metros de Atocha, no trem que ia para Guadalajara.

A terceira estava na estação de El Pozo, próxima à saída da cidade.

E a quarta foi a única que não provocou vítimas porque a bomba foi detonada pela polícia de forma controlada. Estava em uma mochila em uma plataforma perto de Atocha.

Socorro

Toda ajuda foi bem recebida. Além dos cerca de 450 bombeiros, policiais e enfermeiros, muitos civis se ofereceram como voluntários. Médicos, psicólogos e até motoristas tentavam com os próprios recursos colaborar no trabalho de resgate.

O governo pediu doações de sangue e ambulâncias e, às 16h (hora local, 13h em Brasília), havia tantas pessoas oferecendo ajuda que os hospitais pediram que elas parassem.

“A ajuda dos voluntários foi fundamental. É que não dava tempo para atender. Íamos para um lado, de repente a 500 metros havia outra explosão, uma situação de desespero”, contou a enfermeira do serviço de proteção civil de Madri Angeles Fuentes, uma das primeiras a chegar a Atocha.

Crises nervosas

Ao redor dos locais atingidos havia fumaça, tensão, barulho de sirenes e outro tipo de vítima: a de crise nervosa. Muitas pessoas foram atendidas porque tinham familiares e amigos que viajam nesses trens ou esperavam para entrar nas estações.

O caos era tanto que os telefones celulares deixaram de funcionar pelo congestionamento das linhas, o tráfego foi bloqueado e quem saía ileso do atentado não deixava de repetir que o horror de lá de dentro seria inesquecível.

“Vi corpos mutilados, gente correndo desesperada pelo túnel (onde estão os trilhos), uma fumaça preta com cheiro de plástico e carne queimada, parecia que estava na guerra”, descreveu Eduardo Menéndez, um sobrevivente que teve feridas leves e foi atendido em um posto de saúde de emergência, montado na própria estação de Atocha.

Além de hospitais improvisados, foram precisos mais recursos de última hora. O maior pavilhão de eventos da cidade virou um necrotério provisório e escolas foram usadas como enfermarias para casos leves.

ETA

O governo espanhol atribuiu o atentado ao grupo separatista basco ETA e decretou três dias de luto oficial.

Apesar das declarações do líder do Batasuna (o braço político do ETA, colocado na ilegalidade), Arnaldo Otegi, indicando que não se tratava de obra da organização, podendo ter sido realizada por árabes Al-Qaeda, o Ministério Interior não tem dúvidas.

Ao contrário dos atentados anteriores (o ETA nunca os reivindica), o de hoje tem uma característica nova: a falta de advertência.

Até então, em todos os atentados cometidos na Espanha, sempre houve um telefonema minutos antes de explosões para haver tempo de evacuar a população civil e tentar atingir os policiais controlando a área.

O primeiro-ministro José Maria Aznar disse que o governo “não vai parar até acabar com o terror e que ninguém duvide de que os criminosos serão apanhados e pagarão pela tragédia de hoje. E não há negociação possível, nem desejável com assassinos”.

O líder do governo do País Basco, Juan José Ibarretxe, enviou condolências aos madrilenhos e disse que os autores do atentado “não são bascos, são bichos”.

A polícia espanhola já tem pista de dois suspeitos. Dois jovens foram vistos entrando e saindo dos trens em intervalos de dez minutos pelo menos quatro vezes.

Na sexta-feira, às 19 horas (hora local, 15h em Brasília) haverá manifestações em todo o país.

Ainda nesta quinta-feira o rei Juan Carlos fará um pronunciamento ao povo espanhol.

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