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Atualizado às: 11 de março, 2004 - 01h17 GMT (22h17 Brasília)
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Novo premiê diz que Haiti pode ter novo Exército
O novo primeiro-ministro do Haiti, Gerard Latortue
Latortue foi ministro do Exterior e vivia na Flórida, onde era apresentador de TV
O novo primeiro-ministro do Haiti, Gerard Latortue, chegou nesta quarta-feira a capital do país, Porto Príncipe, assumindo o comando do governo interino.

Latortue, que foi ministro do Exterior do Haiti e se viu forçado a deixar o país após um golpe militar em 1988, vinha vivendo na Flórida, onde era apresentador de um programa de TV.

Ao chegar, o novo premiê pediu que haja reconciliação entre os diferentes grupos armados do país e que eles abandonem a violência.

Ele também disse que irá avaliar o restabelecimento do Exército haitiano - que deixou de existir em 1995 por ordem do presidente Jean-Bertrand Aristide, deposto em um golpe militar em 1991 e reinstituído em 1994.

Desarmamento

Latortune passa a integrar o governo haitiano em um momento em que o país ainda vive episódios de violência e saques esporádicos, mais de uma semana depois que Aristide deixou o cargo, viajando para a África.

De acordo com o correspondente da BBC em Porto Príncipe Daniel Lak, o primeiro desafio do novo premiê deve ser restaurar a lei e a ordem - e, para isso, ele depende das forças de paz internacionais que estão no Haiti.

Um representate das forças americanas no país, o coronel Charles Gurganus, disse nesta quarta-feira que os fuzileiros dos Estados Unidos e a Polícia local vão passar a "desarmar as pessoas que estejam ilegalmente em posse de armas" em público.

"Nós vamos tomar as armas que encontrarmos nas ruas", disse ele, pedindo que os haitianos as entreguem e denunciem pessoas que irregularmente as tenham.

Daniel Lak disse que tal operação pode levar os fuzileiros americanos a entrar em confronto com os chamados Chimères - simpatizantes armados do presidente Aristide.

News image
Fuzileiros navais americanos vão trabalhar com a Polícia para desarmar haitianos

As forças americanas também informaram nesta quarta-feira que mataram a tiros mais dois haitianos armados em Porto Príncipe, depois de terem sido atacados.

Com mais essas vítimas, chega a quarto o número de pessoas mortas pelas forças de paz internacionais no Haiti desde que elas começaram a chegar ao país, na semana passada.

Crianças e economia

O Unicef (Programa das Nações Unidas para a Infância) pediu uma ação urgente do novo governo para salvar milhares de crianças haitianas, sujeitas a doenças e malnutrição.

O vice-diretor do programa de emergências do Unicef, Eric Laroche, disse que muitas crianças morreram de pneumonia e diarréia depois do levante armado contra Aristide, encerrado no mês passado.

Um outro desafio de Latortue, de acordo com o correspondente da BBC, deve ser reverter o declínio econômico do país, que amarga os efeitos dos saques e do vandalismo das últimas semanas.

Segundo Lak, o prejuízo total pode superar os US$ 300 milhões.

Os Estados Unidos e outros países devem provavelmente acabar com um embargo imposto ao governo de Aristide há vários anos.

O correspondente da BBC disse que a criação de empregos e o fluxo de investimentos estrangeiros praticamente deixaram de existir nos últimos quatro anos, e Latortue terá que convencer os haitianos que eles precisam trabalhar juntos para resolver os muitos problemas do país.

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