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Marido de candidata seqüestrada diz que deixará país | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O marido da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, o publicitário Juan Carlos Lecompte, anunciou nesta terça-feira que abandonará a Colômbia por alguns meses por conta das fortes ameaças de morte que têm recebido nos últimos 20 dias. “Pediram-me para ficar quieto. Caso contrário, eles mesmos vão me calar”, disse Lecompte à BBC Brasil. “Tudo começou depois da fracassada viagem do presidente Álvaro Uribe à Europa, em fevereiro passado. Mas, agora, confesso que estou com medo”. Lecompte não entende as razões pelas quais está sendo ameaçado. Segundo ele, a única coisa que tem feito em sua vida desde que Ingrid foi seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), há mais de dois anos, é lutar por sua liberação. O publicitário também não sabe quem são os autores das ameaças feitas por meio de ligações para seu celular e sua casa em Bogotá, onde ele não tem aparecido há mais de duas semanas. Protestos Ele não descarta, no entanto, a hipótese de que esteja sendo punido por causa dos inúmeros protestos contra o presidente Uribe durante sua ida à Europa. Algumas dessas manifestações, pedindo para que o governo negocie com a guerrilha a liberação de seqüestrados colombianos, contaram com a presença de familiares de Ingrid. Desde que Álvaro Uribe chegou à Presidência, em agosto de 2002, Lecompte tem assumido publicamente sua postura de oposição. Em inúmeras ocasiões, ele disse ter perdido a esperança de ver de novo sua mulher ainda durante esse governo. “Uribe é um presidente de extrema-direita. Ele pensa que a única maneira de resolver os problemas na Colômbia é por meio da violência”, disse Lecompte. “Com sua política de guerra, não admite gestos de paz.” "Manipulação" Lecompte também disse que o presidente Uribe manipulou a família da ex-candidata presidencial em julho do ano passado, quando afirmou ter informações confiáveis sobre a suposta liberação dela em território brasileiro. “Foi Uribe quem chamou a mãe de Ingrid (...) para anunciar que ela seria libertada pela guerrilha, porque se encontrava muito doente”, afirmou. “A família se mobilizou, pediu ajuda ao governo francês, que enviou um avião à selva amazônica, mas nada aconteceu. Era tudo uma farsa.” Segundo Lecompte, a intenção do governo era criar um incidente diplomático com o Brasil e a França, países que se dispuseram a ajudar a Colômbia a solucionar o problema dos seqüestrados. O publicitário pretende passar uma temporada na Europa até que as ameaças diminuam.
Quando voltar, ele promete retormar sua luta com mais força. Acordo A exemplo de outros familiares de políticos, soldados e policiais seqüestrados pelas Farc, os parentes de Ingrid fazem campanha para que o governo e as Farc assinem um acordo humanitário, prevendo a libertação dos reféns em troca de guerrilheiros que se encontram nas prisões colombianas. Ingrid Betancourt, de nacionalidade colombiana e francesa, foi seqüestrada pelas Farc em 23 de fevereiro de 2002, junto com a coordenadora de sua campanha Clara Rojas. As duas tentavam ingressar na antiga zona desmilitarizada, onde eram realizadas negociações de paz entre o governo do ex-presidente Andrés Pastrana e a guerrilha. A Colômbia é líder mundial em número de seqüestros, com cerca de 3 mil ao ano. Mais da metade deles são cometidos por guerrilheiros. |
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