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Atualizado às: 21 de fevereiro, 2004 - 21h36 GMT (18h36 Brasília)
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Protesto lembra seqüestro de ex-candidata na Colômbia

Foto de arquivo da ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt
Ingrid Betancourt recebeu homenagens de vários países
Uma estrela branca pintada na calçada de uma grande avenida de Bogotá foi a maneira escolhida por familiares e amigos da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt para lembrar os dois anos de seu seqüestro.

"A idéia é que quando ela seja libertada, venha aqui e apague esta estrela como um símbolo de liberdade e de vitória”, disse à BBC Brasil Juan Carlos Lecompte, marido de Ingrid.

"Queremos que todos os familiares das três mil pessoas que se encontram seqüestradas no país façam o mesmo, que pintem estrelas com os nomes das vítimas em suas cidades. Tenho a esperança de que, em pouco tempo, não teremos mais nenhuma dessas estrelas”.

O ato de solidariedade pela vida e a liberdade, realizado no início da tarde desse sábado, contou com a presença de embaixadores e deputados de vários países, do prefeito de Roma, Walter Veltroni, e representantes de organizações defensoras dos direitos humanos.

Num extenso muro, foram coladas mais de uma centena de mensagens solidárias enviadas por pessoas de todas as partes do mundo.

Em um grande cartaz, figurou o nome das 1.065 cidades que deram à Ingrid Betancourt o título de cidadã de honra.

"O Brasil não compactua com qualquer seqüestro, considerado por nós como privação de liberdade. Queremos prestar solidariedade a todos os seqüestrados, porque eles são vítimas de um crime inaceitável", disse Maria Celina de Azevedo, embaixadora brasileira na Colômbia.

Apelo pela negociação

Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata, fez um pedido para que o presidente Álvaro Uribe escutasse as mensagens de apoio internacional e iniciasse negociação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo guerrilheiro responsável pelo seqüestro de Ingrid.

"Estamos pedindo ao presidente Uribe que recupere o valor da vida humana na Colômbia. Espero que ele seja lembrado como o presidente da vida e não da morte", afirmou com lágrimas nos olhos.

Ingrid Betancourt, de nacionalidade colombiana e francesa, foi seqüestrada pelas Farc em 23 de fevereiro de 2002 junto com sua chefe de campanha Clara Rojas.

As duas tentavam ingressar na antiga zona desmilitarizada, onde eram realizadas negociações de paz entre o governo do ex-presidente Andrés Pastrana e a guerrilha.

"Há dois anos, ela deixou de ser uma mulher livre. É como se todo o mundo perdesse um pouco de liberdade", assinalou do prefeito de Roma, Walter Veltroni.

"Para nós, ela se converteu em um símbolo de todas as mulheres e homens que estão nas mãos das Farc e de outros grupos ilegais na Colômbia", acrescentou.

O deputado federal Jovino Cândido (PV-SP) fez um apelo para que o governo colombiano e a guerrilha amolecessem seus corações e respeitassem a vida e o valor da liberdade.

"Respeito a ideologia das Farc, mas critico sua falta de propostas em apresentar uma saída à guerra e ao sofimento do povo colombiano", disse Cândido.

Longa 'separação'

Triste, o marido de Ingrid disse não acreditar que voltará a ver sua mulher antes que termine o governo de Uribe.

De acordo com ele, o presidente, de direita, quer resolver o problema da Colômbia de maneira violenta. Com sua política de guerra, não admite gestos de paz.

Assim como os parentes de outros politicos, soldados e policiais que se encontram seqüestrados, a família de Ingrid faz campanha para que o governo colombiano e as Farc assinem um acordo humanitário, prevendo a liberdade dos reféns em troca de guerrilheiros que se encontram nas prisões colombianas.

"Uribe não quer a liberdade dela, porque Ingrid seria a grande opositora de seu governo", disse Lecompte.

"Ela pensa que a saída para o conflito colombiano é pela via negociada, pacífica e com diálogo. Uribe tem uma política de guerra e está implementando todo o tipo de atrocidades para ganhar essa guerra. Livre, Ingrid poderia denunciá-lo internacionalmente, como nós estamos tentando fazer", afirmou.

Durante o protesto, várias pessoas vestiram camisetas com a foto de Ingrid e estrelas brancas de papel com o nome da ex-candidata presidencial no peito.

Também foram distribuídos inúmeros balões, lembrando os dois de ausência dela.

O seqüestro de Ingrid Betancourt tem chamado a atenção e ganhado a solidariedade de políticos em vários países.

Além de ser nomeada cidadã de honra em 1065 cidades, um grupo de parlamentares franceses indicou o nome dela ao Prêmio Nobel da Paz.

Além do ato realizado em Bogotá, estão previstas manifestações de apoio a Ingrid em outras cidades do mundo nos próximos dias. Familiares de Ingrid prometem estar presentes nos protestos que ocorrerão na França.

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