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Atualizado às: 09 de março, 2004 - 19h18 GMT (16h18 Brasília)
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Análise: Bush tenta mostrar afastamento da confusão iraquiana

Líderes iraquianos assinam Constituição provisória
Líderes iraquianos assinam Constituição provisória
Apesar das reservas xiitas, a Constituição provisória iraquiana firmada na segunda-feira é um avanço para um país que durante décadas esteve submetido apenas à lei de Saddam Hussein.

É um avanço previsivelmente exagerado pelo governo americano. Qualquer progresso no Iraque rumo à normalidade democrática agora é descrito como uma vitória monumental em Washington.

No seu Texas velho de guerra, durante um giro eleitoral, o presidente George W. Bush definiu esta Constituição provisória como um "marco histórico". É assim que a Casa Branca pode mostrar serviço.

A invasão do Iraque fora basicamente justificada no ano passado pela ameaça das armas de destruição em massa. Sem condições de exibir a prova do crime, a arma mais potente no arsenal de justificativas passou a ser o estabelecimento da democracia iraquiana como o início da remodelagem da paisagem política no Oriente Médio.

A Constituição provisória é um passo chave no processo de normalização no Iraque pós-guerra, que deve culminar na devolução da soberania aos iraquianos em 30 de junho.

Afastamento

Para o governo americano, é fundamental reforçar a percepção de afastamento da confusão iraquiana. Mudanças a toque de caixa no Iraque fazem parte desta estratégia, especialmente com o esquentamento da campanha eleitoral nos EUA.

Claro que Bush não deve repetir a antológica leviandade de maio passado quando declarou que a missão estava cumprida no Iraque.

O ônus deve continuar pesado para os EUA. A soberania formal prestes a ser implantada não significa o esvaziamento imediato da presença militar estrangeira. Tropas americanas devem ficar no país por pelo menos mais dois anos.

Isto quer dizer mais baixas americanas em razão dos atentados e ataques praticados pela difusa insurgência. Com fatalismo, é possível garantir que com a aproximação das eleições nos EUA, os insurgentes iraquianos irão incrementar os ataques contra alvos americanos para prejudicar Bush.

Vender esta imagem de normalização em um buraco quente não se restringe ao Iraque. O mesmo propósito vale para o Afeganistão. Por lá, além da caçada de Osama bin Laden, o outro grande objetivo americano é a realização de eleições livres, programadas para junho. Mas como no Iraque, a situaçao é precária.

A ONU conseguiu registrar apenas 10% dos eleitores em potencial e o presidente Hamid Karzai insinuou que as eleições talvez sejam adiadas em função da lentidão no registro dos votantes.

E, de novo, esta ansiedade americana para mostrar ao mundo que a normalização está rendendo frutos não significa a volta da tropa para casa.

No Afeganistão existe um ressurgimento das atividades do Taleban e o frágil governo central nunca pode confiar nos poderosos líderes regionais.

Um comandante americano não identificado confidenciou à revista Time que a presença militar americana no Afeganistão é a única garantia que impede o colapso do país. Nas palavras deste comandante, "se nós sairmos, Karzai morre em questão de dias".

Bush pode estar ansioso para se arrancar do Iraque ou Afeganistão (e nem mencionamos a novidade haitiana), mas estes buracos quentes são fundos. Eles não podem ser tapados até a eleição de novembro.

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