|
Para líder xiita do Iraque, constituição é 'obstáculo' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O principal líder religioso dos xiitas do Iraque, o aiatolá Ali Al-Sistani, descreveu nesta segunda-feira a constituição provisória do país como um obstáculo à assinatura de uma carta magna permanente. A constituição provisória iraquiana, que foi assinada nesta segunda-feira pelos 25 membros do Conselho de Governo interino do Iraque, deve passar a entrar em vigor em julho, quando a soberania iraquiana for restaurada. A cerimônia de assinatura havia sido adiada duas vezes. O último adiamento, na sexta-feira, havia sido forçado por membros xiitas do conselho, que queriam mudanças no texto. Um representante d a organização xiita Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, Abdel Adel Mahdi, disse à BBC que os xiitas ainda têm ressalvas em relação ao texto, e que a constituição provisória pode receber emendas "mais tarde". Eleições Na sua mensagem, o aiatolá Sistani insistiu que apenas representantes eleitos pelo povo iraquiano poderiam aprovar nova legislação para o país. "Qualquer lei preparada para o período de transição não terá legitimidade até que seja aprovada por uma Assembléia Nacional eleita", disse o clérigo. O presidente americano, George W. Bush, elogiou a assinatura da constituição, chamando-a de um marco histórico, mas reconheceu que o documento não resolveu os problemas do país. "Ainda que prossiga o trabalho difícil de estabelecer democracia no Iraque, a assinatura de hoje é um passo importante nessa direção", disse o presidente. Enquanto os governos do Irã e da Arábia Saudita se juntaram aos Estados Unidos e saudaram a nova constituição, a Turquia criticou o documento, dizendo que ele permitirá que prossiga a instabilidade no país. "A lei interina não nos satisfaz, aumenta nossas preocupações", disse o ministro da Justiça da Turquia, Cemil Cicek, de acordo com a agência de notícias turca Anatolia. Explosões Pouco antes da assinatura do documento, três explosões foram ouvidas no centro de Bagdá. De acordo com testemunhas, era possível ver fumaça saindo da área próxima ao quartel-general da coalizão liderada pelos Estados Unidos, mas não há informações sobre vítimas. A Constituição interina estabelece um sistema político a ser adotado no Iraque depois que a coalizão devolver a soberania do país aos iraquianos, em junho. O documento também determina os fundamentos para a realização de eleições diretas no Iraque até janeiro de 2005. O acordo sobre a Constituição foi alcançado durante negociações no fim de semana entre representantes xiitas, incluindo o líder religioso aiatolá Ali Al-Sistani, e outros membros do Conselho de Governo na cidade sagrada de Najaf. A assinatura inicialmente estava marcada para o início da semana passada, mas foi adiada por causa dos atentados contra xiitas que deixaram mais de 180 mortos na última terça-feira. No domingo, cerca de dez mísseis explodiram no centro de Bagdá, perto do local onde a cerimônia de assinatura da Constituição seria realizada. Um dos principais alvos dos ataques foi o quartel-general da coalizão liderada pelos Estados Unidos. Parte dos mísseis atingiu o hotel Al-Rashid, onde autoridades que participariam da assinatura do documento estavam hospedadas. Os ataques provocaram algumas chamas, mas não deixaram feridos graves. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||