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Seis morrem em ataque a manifestação no Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um grupo armado matou pelo menos seis pessoas, entre elas um jornalista estrangeiro, em um ataque a uma manifestação na capital do país, Porto Príncipe, neste domingo. Uma multidão de cerca de dez mil pessoas estava comemorando a saída do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide do poder e saudando líderes rebeldes quando os tiros começaram a ser disparados. Testemunhas acusaram simpatizantes armados do ex-presidente de ter realizado o ataque, em que pelo menos 20 pessoas também ficaram feridas. Soldados internacionais, que estavam patrulhando a manifestação para evitar episódios de violência, foram criticados por não terem agido para evitar as mortes. Dança na praça "As tropas de paz não estavam em nenhum lugar próximo de onde ocorreu o tiroteio", disse um dos feridos à agência de notícias Associated Press. Uma outra pessoa, usando um sistema de auto-falante instalado em um caminhão, mandou uma mensagem aos fuzileiros navais americanos: "Pessoas estão morrendo todos os dias neste país. Vocês precisam fazer algo a respeito". Um porta-voz militar americano disse que três fuzileiros navais revidaram o ataque, mas não fizeram nenhuma prisão. A violência ocorreu no momento em que a multidão estava concentrada em uma praça próxima ao Palácio Presidencial dançando ao som da música de um DJ, cuja execução pública havia sido proibida durante o governo de Aristide.
Segundo testemunhas, os simpatizantes armados de Aristide, conhecidos como Chimères, haviam deixado as favelas na periferia da cidade onde se concentram e assumiram posições no alto de uma colina, de onde dispararam. Cerca de 2,5 mil soldados internacionais que estão no Haiti, vindos dos Estados Unidos, França e outros países, começaram a chegar na semana passada e estariam se concentrando em manter a ordem no centro de Porto Príncipe. No entanto, aparentemente até agora os soldados têm evitado se aventurar em favelas onde os Chimères estariam se escondendo, principalmente as de Cité Soleil e La Saline - redutos de Aristide. Nova manifestação Os simpatizantes do ex-presidente haviam planejado realizar também neste domingo uma manifestação na capital, mas decidiram adiá-la para esta segunda-feira. "Os americanos só estão aqui para proteger aqueles que ajudaram a afastar Aristide", disse um simpatizante do ex-presidente à Associated Press. Durante a manifestação, a multidão arrancou um outdoor que tinha uma foto do ex-presidente, o carregaram até perto do Palácio Presidencial e o queimaram. Eles também carregaram e aplaudiram o líder rebelde Guy Phillipe, que comandou a invasão de inúmeras cidades no interior do país nas semanas que antecederam a queda de Aristide, no dia 29 de fevereiro.
Alguns manifestantes pediram que o ex-presidente e outras pessoas ligadas a seu governo sejam levados à Justiça. Novo governo Líderes da oposição têm pressionado para que o primeiro-ministro do país, Yvon Neptune, seja substituído. Eles alegam que Neptune tem ligações com Aristide. Uma comissão com sete membros, nomeada por representantes do governo, da oposição e um representante da ONU, deve indicar nos próximos dias um novo premiê e membros do gabinete de governo. O governo da República Centro-Africana leu neste domingo uma carta do ex-presidente Aristide, dizendo que ele "foi muito bem recebido" no país e que falaria com jornalistas quando achar necessário. Na semana passada, o ex-presidente acusou os Estados Unidos de o terem forçado a deixar o país. O governo americano negou as acusações. |
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