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Atualizado às: 02 de março, 2004 - 09h00 GMT (06h00 Brasília)
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Kerry chega à 'Super Terça' como grande favorito

Os senadores e pré-candidatos democratas John Kerry e John Edwards
Kerry deve sair da disputa desta terça com uma grande vantagem
Com 18 vitórias em 20 disputas, 758 delegados garantidos e pesquisas amplamente a seu favor, o senador John Kerry chega às primárias da Super Terça apontado por analistas e pela imprensa como o grande favorito na corrida pela nomeação do Partido Democrata.

Mas mesmo que o senador ganhe todos os 1.151 delegados que estão sendo disputados – cenário tão otimista quanto improvável – ainda faltariam 253 votos para Kerry atingir os 2.162 exigidos para garantir a nomeação.

Por isso, analistas evitam afirmações categóricas sobre as conseqüências da votação desta terça-feira, mas é consenso que Kerry chega à disputa – e deve sair dela – com grande vantagem sobre o único adversário ainda com chances de batê-lo, o senador John Edwards, que tem hoje 220 delegados.

"Sem dúvida, uma grande vitória levaria o senador John Kerry muito longe, mas ainda não seria uma garantia de vitória", avalia o cientista político da Universidade de New Hampshire, Mark Wright.

Estados médios

Vão às urnas nesta terça-feira os eleitores de dois dos maiores Estados americanos (Nova York e Califórnia), de outros médios (Geórgia, Maryland, Ohio, Connecticut e Massachusetts) e outros bem pequenos (Rhode Island e Vermont) e espalhados por quase todas as regiões do país.

Wright afirma acreditar que Edwards tem de ganhar em pelo menos dois Estados e conseguir resultados respeitáveis em outros para continuar na corrida.

"Acho que Geórgia, Ohio e Minnesota são os Estados mais importantes para ele agora", diz.

De fato, Edwards está dedicando bastante tempo de sua campanha a estes três Estados médios, onde - embora em segundo lugar nas pesquisas, como em todos os outros Estados – seu desempenho é melhor.

John Kerry, senador e pré-candidato democrata
Favorito, Kerry evita ao máximo referências a John Edwards

Segundo analistas, a Geórgia vai ser um teste da capacidade de Edwards de ganhar votos de no sul, enquanto em Ohio e Minessota – Estados que perderam muitas indústrias nos últimos anos - o senador enfrenta um eleitorado especialmente preocupado com empregos e economia.

Mas o senador já garantiu que continua na disputa, mesmo que perca em todos os dez Estados da Super Terça.

"Vou ficar nesta disputa até a nomeação", repetiu diversas vezes quando repórteres perguntavam se algum resultado o faria desisitir.

A campanha de John Edwards também já anunciou eventos de campanha para a quarta-feira em Estados que vão às urnas na terça da semana que vem.

"Na semana que vem, vão votar Estados do sul, região de Edwards, onde ele pode ter mais vantagem", diz o cientista político do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), William Perry.

Postura agressiva

Perry afirma que, se passar pela Super Terça, Edwards vai ter de adotar uma postura mais agressiva em relação a Kerry para ganhar votos.

Mas o cientista político diz que John Kerry está muito próximo da vitória e que ataques de Edwards podem prejudicar suas possibilidades de acabar como candidato a vice-presidente na chapa do hoje adversário.

Desde o início da disputa democrata, a possibilidade é incansavelmente levantada por analistas e negada pelo senador.

"É claro que qualquer pré-candidato à presidência vai negar interesse em ser vice, mas para um político jovem como ele esta seria uma possibilidade muito interessante", afirma Perry.

Já o senador John Kerry está evitando ao máximo qualquer referência a John Edwards e continua centrando sua campanha em críticas ao presidente George W. Bush.

"Ao invés de acabar com terroristas, o presidente Bush criou terroristas onde eles não existiam", disse Kerry em um evento de campanha em Maryland.

"O presidente Bush criou a política externa mais arrogante, ideológica e irresponsável da história americana", concluiu.

Os pré-candidatos Dennis Kucinich e Al Sharpton também continuam na disputa pela nomeação, mas analistas concordam que eles não têm qualquer chance de vitória.

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