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A Semana: espionagem na ONU e pressão sobre Aristide | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O mundo dos espiões, tão em voga nos tempos da Guerra Fria, voltou às manchetes nesta semana com as acusações de uma ex-ministra do governo de Tony Blair, na Grã-Bretanha. Clare Short, ex-secretária de Desenvolvimento Internacional, disse na quinta-feira, em entrevista à BBC, que o governo britânico participa de um esquema de espionagem que já atingiu o gabinete do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Short afirmou que, quando ministra do governo Blair, ela mesma leu transcrições de conversas de Kofi Annan, no período que antecedeu a guerra no Iraque. Nessa época, as discussões dentro da ONU eram vitais para saber se a comunidade internacional (mais precisamente o Conselho de Segurança) apoiaria o conflito, que já se mostrava iminente. Questionados sobre as implicações da acusação de Short, muitos especialistas da área de segurança deram a mesma resposta: apesar de surpreender a muitos, a atividade dos arapongas internacionais sempre existiu e deve continuar. Mas na ONU o sentimento não foi de aceitação da realidade como ela é. O porta-voz de Annan, Fred Eckhard, disse que, se as acusações forem verdadeiras, as ações de espionagem na ONU são ilegais e devem ser suspensas. Diante da revelação de Short e do pedido da ONU, várias outras personalidades decidiram falar sobre o tema. O ex-secretário-geral da ONU Boutros Boutros-Ghali disse que, assim que assumiu o posto, foi avisado sobre possíveis grampos telefônicos em seu escritório e na sua casa. O ex-chefe dos inspetores da ONU no Iraque Richard Butler afirmou que pelo menos quatro países grampearam suas conversas na época e disse ainda acreditar que a sede das Nações Unidas, em Nova York, seja mesmo alvo de espiões. Tony Blair afirmou que as afirmações de Clare Short eram "irresponsáveis" e recusou-se a negar ou confirmar as alegações. Segundo Blair, como primeiro-ministro ele nunca poderia discutir publicamente as ações do serviço de inteligência da Grã-Bretanha. Blair recebeu o apoio do seu ex-ministro do Exterior Robin Cook, que, apesar de criticar o governo pela guerra no Iraque, atacou a ex-ministra e disse que ficaria surpreso se suas acusações fossem verdadeiras. O governo britânico analisa agora se deve ou não processar Clare Short pela revelação de supostas informações confidenciais. Apesar do protesto da ONU e das acusações de grampos por todos os lados, a espionagem internacional continuará como sempre foi: cercada de mistérios. O fim de Aristide? A semana viu novos avanços dos rebeldes que tentam derrubar o governo do presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide. Diante do agravamento da crise, a comunidade internacional começou a se mexer. A França propôs um plano que prevê o envio de uma força internacional para colocar ordem no país, cada vez mais dominado pelo caos. Na quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se para discutir a crise, mas não chegou a se comprometer com o envio da força externa.
Diante da possibilidade de uma guerra civil, o governo francês disse claramente a membros do governo de Aristide que o presidente deveria deixar o cargo. Os rebeldes, que incluem combatentes de diferentes origens, como Butteur Metayer, ex-aliado de Aristide, e Louis Jodel Chamblain, acusado de atrocidades durante governos militares no país, afirmam não querer assumir o governo. Eles desejam apenas a queda do presidente, o que pode acontecer a qualquer momento. O problema é que ainda não há nenhum líder evidente que poderia substituí-lo. A "barreira" sob julgamento Para Israel, trata-se de uma "cerca". Mas em grande parte de sua extensão, a construção erguida pelo governo israelense e que avança sobre território palestino é na verdade um muro, tão imponente quanto o famigerado Muro de Berlim. Muitos preferem então chamar a instalação de "barreira". Mas a polêmica em torno de sua construção vai muito além da semântica, como ficou provado no início do julgamento pela Corte Internacional de Justiça, com sede em Haia (Holanda). Na segunda-feira, começaram as audiências no tribunal, boicotadas pelo governo israelense, que defende a construção da barreira como única forma de impedir atentados suicidas em Israel.
A maioria dos países criticou veementemente a construção da barreira, cuja extensão foi reduzida em 80 quilômetros, segundo anúncio feito nesta semana. O início das audiências levou a uma série de protestos contra o muro/cerca/barreira na Cisjordânia. Na quinta-feira, centenas de palestinos tentaram impedir a sua construção na cidade de Bidou. Dois deles foram mortos. Crimes dos padres americanos Dois relatórios preparados por um órgão formado por bispos americanos revelaram a extensão de um dos mais graves problemas já enfrentados pela Igreja Católica: o abuso sexual contra crianças. Segundo um dos relatórios, divulgados na sexta-feira, mais de 4 mil padres católicos dos Estados Unidos foram investigados por supostos abusos nos últimos 50 anos - cerca de 4% do total do país. O total de crianças vítimas das ações nessas cinco décadas chega a mais de 10 mil, a maioria meninos. Diante das conclusões, o chefe da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Wilton Gregory, repetiu o pedido de desculpas já feito pela Igreja no país. O problema não se limita aos Estados Unidos e tem sido investigado em outros países de grande população católica, como a Irlanda. Entrará para a história como um dos maiores desafios do papado de João Paulo 2º. Bush x gays O presidente americano, George W. Bush, arregaçou as mangas e decretou guerra ao casamento gay. Depois que a Justiça de Massachusetts autorizou a união de pessoas do mesmo sexo e a prefeitura de San Francisco anunciou que realizaria esses casamentos mesmo contra a lei estadual, Bush resolveu se mexer.
Na terça-feira, o presidente disse que pretende propor uma alteração na Constituição americana para proibir de uma vez por todas o casamento de homossexuais. Para ele, a idéia do casamento apenas entre um homem e uma mulher é uma das bases da sociedade americana e não pode ser ameaçada. Mas analistas dizem que, por trás da medida, pode estar a tentativa de Bush de transformar o casamento gay em um tema político, por estarmos em ano eleitoral. Os gays prometem reagir. |
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