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Análise: Sombra da guerra no Iraque volta a incomodar Blair | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Se o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ainda está à procura de armas de destruição em massa, ele poderia fazer uma busca entre os seus próprios aliados. Quando Blair pensava que estava começando a conseguir deixar para trás a crise do Iraque, a ex-ministra Clare Short explodiu para cima do primeiro-ministro. Até agora, e graças em parte ao comportamento rebelde de Clare Short, Blair tem sido capaz de responder aos seus ataques com um "Clare será sempre Clare", seguido por um encolher de ombros. Desta vez, no entanto, o primeiro-ministro foi forçado a aceitar que as acusações são muito mais sérias, e que talvez seja necessário tomar medidas contra a ex-ministra. Nesta quinta-feira, em sua entrevista coletiva mensal, Blair efetivamente acusou Clare Short de colocar a segurança nacional em risco com a sua afirmação de que espiões britânicos grampearam Kofi Annan. De acordo com o primeiro-ministro britânico, quem atacou o trabalho dos serviços de inteligência prejudicou a segurança do país e atuou de uma forma profundamente irresponsável. Danos políticos Interrogado sobre uma possível ação legal do governo contra Short, com base na Lei de Segredos Oficiais britânica, ou a possível expulsão da ex-ministra do Partido Trabalhista, Blair disse que terá de "refletir" sobre o assunto. Neste jogo político particular, no entanto, o futuro de Short é pouco mais do que uma nota de rodapé. O que tanto as suas afirmações como o colapso do caso contra a ex-tradutora dos serviços secretos Katharine Gun asseguraram é que a polêmica sobre a guerra e a sua legitimidade está de novo no topo da agenda. E é ainda essa questão que tem potencial para provocar graves danos políticos ao primeiro-ministro. Espiões e amigos A recusa em fazer qualquer comentário, insistindo que os serviços secretos nunca violariam a lei, é a tentativa de Blair de colocar uma pedra no assunto.
Várias vezes durante a entrevista coletiva, o primeiro-ministro foi solicitado a comentar generalidades, tais como se os serviços secretos deviam espionar aliados como Kofi Annan ou a ONU. Em todas as respostas, Blair insistiu que não discutirá os detalhes das operações de inteligência porque isso também seria irresponsável e perigoso. Com isso, portanto, o primeiro-ministro se recusou a comentar a veracidade das alegações ou a confirmar se os serviços secretos realizaram tais operações. De forma semelhante, Blair também se recusou a falar do abandonado processo judicial que voltou a levantar sugestões de que a guerra teria sido ilegal e que isso estava prestes a ser revelado durante o julgamento. Perigo O primeiro-ministro negou essa teoria e continuou a expressar a sua convicção inabalável na necessidade da guerra. Blair deve saber que a sua recusa em abordar essas questões altamente sensíveis abrirá espaço para que especulações corram com abundância – tanto é que o próprio primeiro-ministro disse isso durante a entrevista. No entanto, Blair claramente calcula que essa será uma fase de curto prazo e que, sem mais combustível para alimentar o problema, as chamas em breve se apagarão. A longo prazo, o perigo real para primeiro-ministro é que tudo isso volte a alimentar dúvidas e a influenciar a percepção do público sobre como e por que a Grã-Bretanha foi levada para a guerra. |
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