|
Ex-ministros acusam governo Blair de manipular fatos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ex-integrantes do governo britânico acusaram o governo do país nesta terça-feira de manipular informações para justificar a decisão de ir à guerra contra o Iraque. Os depoimentos foram prestados ao Parlamento britânico, numa investigação sobre as alegações do governo de que o Iraque teria armas de destruição em massa, usadas para justificar o conflito. O parlamentar Robin Cook acusou ministros do governo de não retratarem a "situação completa", com o objetivo de justificar a guerra. Ele disse que não havia provas convincentes de que o ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, representava uma ameaça iminente e qualificou a decisão de ir à guerra como um erro grave. Cook foi ministro do Exterior durante a primeira gestão do primeiro-ministro Tony Blair. Ele renunciou em março ao posto de líder do governo no Parlamento britânico, que ocupou no segundo mandato trabalhista, por discordar do conflito. O ex-ministro foi a primeira testemunha a prestar depoimento como parte da investigação. Meias-verdades A deputada Clare Short, que renunciou ao cargo de ministra do Desenvolvimento Internacional em maio, também por causa da guerra contra o Iraque, foi a segunda a prestar depoimento. Na mesma linha, ela acusou o governo de usar meias-verdades e disse que o executivo exagerou fatos para justificar o conflito. Segundo ela, a Grã-Bretanha deveria ter se esforçado mais para alcançar o desarmamento do Iraque por meio de ações da ONU (Organização das Nações Unidas). Em seu depoimento, Cook disse que "não tinha dúvidas sobre a boa fé do primeiro-ministro", mas afirmou que a "sinceridade e convicção dos envolvidos" era um "problema". Essa convicção, segundo ele, fez com que material de espionagem fosse manipulado para servir de defesa para a guerra, em vez de ser usado cuidadosamente para demonstrar se Saddam representava mesmo uma ameaça. A investigação em Londres acontece pouco depois de um processo similar ter sido inciado pelo Congresso americano, para verificar se o governo do presidente George W. Bush inflou o potencial de perigo apresentado pelo ex-ditador iraquiano. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||