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Atualizado às: 17 de junho, 2003 - 14h59 GMT (11h59 Brasília)
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Ex-ministros acusam governo Blair de manipular fatos
Robin Cook
Cook: acusações contra ex-colegas de governo
Ex-integrantes do governo britânico acusaram o governo do país nesta terça-feira de manipular informações para justificar a decisão de ir à guerra contra o Iraque.

Os depoimentos foram prestados ao Parlamento britânico, numa investigação sobre as alegações do governo de que o Iraque teria armas de destruição em massa, usadas para justificar o conflito.

O parlamentar Robin Cook acusou ministros do governo de não retratarem a "situação completa", com o objetivo de justificar a guerra.

Ele disse que não havia provas convincentes de que o ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, representava uma ameaça iminente e qualificou a decisão de ir à guerra como um erro grave.

Cook foi ministro do Exterior durante a primeira gestão do primeiro-ministro Tony Blair. Ele renunciou em março ao posto de líder do governo no Parlamento britânico, que ocupou no segundo mandato trabalhista, por discordar do conflito.

O ex-ministro foi a primeira testemunha a prestar depoimento como parte da investigação.

Meias-verdades

A deputada Clare Short, que renunciou ao cargo de ministra do Desenvolvimento Internacional em maio, também por causa da guerra contra o Iraque, foi a segunda a prestar depoimento.

Na mesma linha, ela acusou o governo de usar meias-verdades e disse que o executivo exagerou fatos para justificar o conflito.

Segundo ela, a Grã-Bretanha deveria ter se esforçado mais para alcançar o desarmamento do Iraque por meio de ações da ONU (Organização das Nações Unidas).

Em seu depoimento, Cook disse que "não tinha dúvidas sobre a boa fé do primeiro-ministro", mas afirmou que a "sinceridade e convicção dos envolvidos" era um "problema".

Essa convicção, segundo ele, fez com que material de espionagem fosse manipulado para servir de defesa para a guerra, em vez de ser usado cuidadosamente para demonstrar se Saddam representava mesmo uma ameaça.

A investigação em Londres acontece pouco depois de um processo similar ter sido inciado pelo Congresso americano, para verificar se o governo do presidente George W. Bush inflou o potencial de perigo apresentado pelo ex-ditador iraquiano.

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