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'Intervalos curtos entre primárias favorecem Kerry' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com sete vitórias em nove primárias e liderando no número de delegados – 248 contra 121 do segundo colocado, Howard Dean – o senador de Massachussetts John Kerry é apontado unanimente como o pré-candidato mais próximo da nomeação democrata. Menos de 15% dos delegados foram distribuídos até agora e a nomeação ainda está longe de decidida, mas analistas observam que não vai ser fácil um dos adversários tirar de Kerry a imagem que está contando tanto nestas eleições: a de melhor adversário contra George W. Bush, consolidada a cada boa notícia saída da campanha do senador. O cientista político e editor-sênior do grupo Gallup, David Moore, explica que este ano as primárias e os cáucus estão acontecendo em intervalos mais curtos do que o normal, limitando as campanhas corpo-a-corpo dos candidatos. Como conseqüência, explica Moore, os eleitores escolhem influenciados pelo destaque dado ao candidato vitorioso na rodada anterior, aumentando seu alcance eleitoral e criando novas ondas de votos. “Os eleitores foram para as urnas em sete Estados na última terça-feira com a imagem de um Kerry vitorioso em Iowa e New Hamphire e com estatura para enfrentar George W. Bush”, avalia Moore. “Como as primárias estão muito concentradas, os eleitores acabam escolhendo com base no que a mídia apresenta das disputas anteriores”, nota Moore, observando que, normalmente, um número tão grande de Estados já teria realizado primárias apenas por volta do fim de março. Bush Todas as pesquisas feitas com democratas durante os cáucus e primárias mostraram que escolher um candidato com chances de bater George W. Bush em novembro é a grande prioridade dos eleitores. O senador John Edwards e o general Wesley Clark são citados como candidatos ainda viáveis, mas a concentração das primárias citada por David Moore dá a eles pouco tempo de recuperação antes das próximas etapas decisivas. Nos dias 2 e 9 de março acontecem as principais séries de primárias do processo de nomeação, com boa partes dos 4322 delegados sendo escolhidos apenas nestes dois dias. Para ser nomeado, o candidato precisa pelo menos 2162 destes votos. “Para conseguir reverter a onda favorável a Kerry algum outro candidato vai ter de conseguir se apresentar como um ‘anti-Bush’ melhor do que ele, mas isso parece uma tarefa bem difícil agora”, disse o cientista político Perevill Squire, da Universidade de Iowa. Supresas O cientista político Mark Wright, da Universidade de New Hamphsire, acredita que as primárias que vão acontecer até 2 de março só serão significativas se algum pré-candidato conseguir apresentar uma “surpresa” muito grande. “Mas a estas altura vai ter de ser algo muito forte para atrair a atenção da mídia. Algo como uma série de vitórias inesperadas de um candidato em diversos Estados”, diz. David Moore concorda com a avaliação argumentando que agora contam os delegados e não as vitórias. “Nas primeiras primárias havia uma atenção muito grande para o nome do vitorioso, mas a partir de agora isso importa pouco. Todos os candidatos vão passar a prestar atenção apenas no número de delegados que vão conseguir em cada primária”, diz. União Peverill Squire diz que a força de Kerry durante a nomeação pode se refletir em bons ganhos políticos caso o senador seja mesmo o candidato democrata à Presidência. “Tenho a impressão não só de que Kerry vai ser nomeado como ele vai chegar à convenção nacional com a maioria absoluta (mais da metade) dos delegados”, disse o cientista político. Em processos de nomeação disputados, como o deste ano, há sempre o risco de que nenhum dos proponentes consiga a maioria absoluta dos delegados deixando para negociações de última hora entre os candidatos a efetiva definição do nome. Negociações assim acabam provocando conflitos entre os diferentes grupos no partido dificultando a união em torno de um nome no momento das eleições. “Pode ser positivo para o Partido Democrata ter um candidate em torno do qual todos estejam se unindo desde cedo”, disse Squire. “Acho que se Kerry for de fato nomeado não vai ser difícil para o partido se unir ao lado dele como um forte candidato em novembro”, afirmou o analista. |
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