|
Vitória de Kerry ainda não está garantida, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que pode haver mudanças na dinâmica das prévias democratas por causa do resultado das primárias e cáucus realizados na terça-feira. Embora em cinco dos sete Estados onde foram realizadas votações a vitória tenha sido de John Kerry – o que consolida sua posição de líder –, em dois Estados a vitória foi de outros candidatos, que agora podem ganhar impulso. Wesley Clark obteve seu triunfo em Oklahoma, em uma disputa bastante acirrada com John Edwards, que no final ficou em segundo lugar, a apenas algumas centenas de votos de Clark. Além de seu bom desempenho em Oklahoma, Edwards também obteve uma sólida vitória na Carolina do Sul – por mais de dez pontos percentuais de diferença sobre o segundo colocado, John Kerry – e um segundo lugar no Missouri. Protecionista e populista “Kerry pegou muito embalo no início, mas agora as vitórias de Edwards dão embalo para ele”, disse a cientista política Margarita Martin. “O próprio processo tem um motor interno que diminui as chances de quem vai perdendo e aumenta as de quem vai ganhando”, explicou, dizendo que, agora, os eleitores vão passar a ver a candidatura de Edwards como mais viável. “Cinqüenta por cento do que acontece com um candidato neste estágio das prévias têm a ver com o que aconteceu com ele nas votações anteriores, e 50%, com a percepção dos eleitores que buscam saber mais sobre ele.” No caso de pelo menos uma primária que vem a seguir, a de Michigan, Margarita Martin acha que o discurso de Edwards pode ter boa receptividade. “Tem um lado do discurso de Edwards que é populista, um pouco protecionista. E Michigan é um Estado industrial. Esse discurso pode ter simpatizantes por lá.” O candidato já disse que considera Michigan uma de suas prioridades a seguir. “Edwards está tendo um desempenho surpreendente, mas vamos ter que ver como ele vai se sair nas próximas prévias”, disse Mona Lyne, cientista política da Universidade da Carolina do Sul. Ela acredita que o senador da Carolina do Norte é o único que ainda pode tirar das mãos de Kerry a indicação para concorrer à Presidência pelo Partido Democrata, mas que isso “vai ser difícil”. “Ele tem a vantagem de representar o sul, e as pessoas acham isso necessário para um candidato democrata. É muito complicado vencer uma eleição nos Estados Unidos sem o apoio do sul. O candidato precisaria ter um apoio muito grande de outras regiões”, explica. Clark e Dean Mona Lyne acha que, por causa da sua vitória nesta terça-feira, Wesley Clark deve continuar na disputa “por pelo menos mais uma semana”. “Em outros Estados que ainda não votaram ele tem a esperança de ter mais apoio. E ele ainda, aparentemente, tem dinheiro.” Quanto a Howard Dean, que decidiu concentrar sua campanha nos últimos dias em Estados onde não houve votação nesta terça-feira, o futuro de sua campanha deve depender dos próximos resultados. Para Margarita Martin, mesmo tendo o candidato admitido que não esperava grandes ganhos nesta rodada de prévias, sua campanha sofreu efeitos negativos por seu desempenho fraco em alguns Estados. “É claro que a campanha fica estremecida”, disse ela. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||