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Análise: A inteligência americana no microscópio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A administração Bush vem, há dias, dando pistas de que isso poderia ocorrer.
Agora, o presidente confirmou que instalará um inquérito independente sobre os serviços de inteligência americanos e seu papel na guerra do Iraque. O anúncio segue a pressão da opinião pública sobre a administração Bush para explicar como ela concluiu que o Iraque possuía armas de destruição em massa, quando, até agora, nenhuma foi encontrada . "Estou formando uma comissão independente e bipartidária para analisar qual a situação em que nos encontramos e o que podemos fazer melhor na guerra contra o terror", disse Bush. Contexto maior Desde que o maior especialista em armas dos Estados Unidos, David Kay, disse na semana passada que as conclusões das agências de inteligência sobre o Iraque estavam quase todas erradas, a pressão sobre Bush vem aumentando. Tanto os democratas quanto os republicanos, ou a mídia, dizem saber qual o tipo de inteligência que foi usada pelo presidente para decidir ir à guerra, como ela foi obtida e porque agora ela parece ser tão equivocada. O presidente, no entanto, indicou que o inquérito não será apenas sobre o Iraque. Ele vai investigar as todas as atividades dos serviços de inteligência a respeito da proliferação das armas de destruição de massa. "Queremos olhar para a nossa guerra contra a proliferação de armas de destruição de massa em um contexto maior", disse Bush. Funeral Isso parece significar que as atividades das agências de inteligência americanas ao procurar informações sobre programas de armas nucleares na Coréia do Norte, Irã e Líbia também podem ser examinadas. A comissão deve ser formada por nove pessoas, políticos de ambos os partidos e especialistas de inteligência. Não foi dito quando ela deve apresentar suas conclusões. A administração Bush, no entanto, espera que os resultados não cheguem antes da próxima eleição presidencial, em novembro, por medo de proporcionar munição eleitoral aos democratas. Esse é, provavelmente, um desenvolvimento preocupante para as cerca de 14 agências de inteligência americanas. Um comentarista ligado a CIA disse que a atmosfera no quartel-general da agência lembrava um funeral. O inquérito, dependendo do seu grau de influência e precisão, pode retratar as agências dos serviços de inteligência como provedores de informações falhas para a administração, o que teria permitido que os líderes americanos fossem à guerra sem um quadro preciso da situação no Iraque. |
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