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Atualizado às: 02 de fevereiro, 2004 - 09h07 GMT (07h07 Brasília)
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Voto dos negros é crucial na Carolina do Sul

O democrata Al Sharpton
O democrata Al Sharpton está em quarto lugar no Estado
Num domingo de vento frio em Columbia, quatro simpatizantes de Wesley Clark distribuem panfletos e DVDs do candidato a pessoas negras que vão saindo de uma igreja no centro da cidade.

Muitos dos eleitores estão indecisos. “Eu certamente vou votar na primária. Mas estou dividida entre (John) Kerry e Clark”, afirmou Frunel Hyatt, uma das "vítimas" dos cabos eleitorais.

Ela diz que acha importante que os candidatos apresentem propostas específicas para ajudar a comunidade negra do Estado. “Há assuntos específicos que interessam a certas comunidades. Há os que interessam a todos – emprego e saúde, por exemplo –, mas há questões que atingem os afro-americanos que precisam ser tratadas.”

Ao lado de Hyatt, Derek Edwards diz que a questão não é o que os candidatos dizem ou mostram estar fazendo por pessoas como ele.

“É preciso (...) ver as posições que eles dizem defender... ver o que eles de fato fizeram no passado, se eles votaram de forma ponderada em questões afro-americanas.”

Voto útil

O voto dos negros é vital para qualquer candidato disputando uma eleição na Carolina do Sul, onde quase 30% da população é afro-americana.

Carolina do Sul
População: 4.063.011 (2001, estimatica)
Negros/afro-americanos: 29,5% (média EUA: 12,3%) (2000)
Renda per capita: US$ 18.795 (média EUA: US$ 21.587) (1999)

Dentro do universo de eleitores que deve votar na terça-feira nas primárias do Estado, cerca de 45% são dessa parcela da população – que, tradicionalmente, apóia os democratas.

Mas, ao contrário do que se pode esperar, os pré-candidatos democratas à Presidência não parecem ter adotado estratégias específicas para conquistar esses eleitores.

“Não tenho visto nada de muito diferente”, disse a cientista política Mona Lyne, da Universidade da Carolina do Sul. “Mas uma coisa que eu tenho ouvido é que a comunidade negra está olhando coisas muito semelhantes às que outras olham.”

Para a cientista política, um desses fatos que estão igualando eleitores negros e brancos no Estado é a reflexão sobre qual candidato tem a possibilidade de derrotar George W. Bush nas eleições presidenciais.

“Mesmo que o (pré-candidato negro Al) Sharpton tenha muitos fãs aqui, muitas pessoas estão dizendo que, mesmo gostando dele, não vão votar nele, porque acham que ele não tem chances de vencer”, disse.

Uma pesquisa do instituto Zogbi International divulgada na semana passada indica que Sharpton – um candidato que mostrou pouca força nas prévias até agora – está em quarto na preferência do eleitorado negro no Estado.

A pesquisa aponta John Kerry como favorito dessa parcela dos eleitores, com 26% das intenções de voto, seguido de John Edwards, com 16%.

Clyburn

Um voluntário da campanha de Kerry no Estado deu uma explicação para o apoio do eleitorado negro ao senador de Massachusetts.

“O apoio do (representante negro James) Clyburn a Kerry é prova suficiente de que Kerry leva a sério os problemas da comunidade afro-americana no Estado”, disse, se referindo a um político de grande prestígio no Estado que anunciou na semana passada seu candidato.

O voluntário não soube dizer se medidas mais específicas estão sendo tomadas para conquistar o eleitorado negro no Estado.

Os organizadores da campanha do ex-governador do Estado de Vermont Howard Dean na Carolina do Sul são mais categóricos e dizem que nenhuma nenhuma estratégia é necessária.

“Nosso foco é nas coisas que unem a todos. Estamos procurando passar as idéias de Dean para vários problemas, mas não temos estratégias pensadas para diferentes comunidades, diferentes Estados”, disse Delacey Skinner, secretária de comunicação da campanha de Dean na Carolina do Sul.

Ainda assim, não faltam na cidade placas de propaganda de Dean dizendo que ele é o candidato “dos afro-americanos”.

A campanha de Wesley Clark – uma das mais ativas em Columbia – procura conquistar o voto negro das maneiras tradicionais, da mesma forma que procuraria conquistar outras parcelas do eleitorado.

De acordo com Meaghan Stone, secretária de comunicação de Clark no Estado, os cabos eleitorais estão“fazendo campanhas a pé nas vizinhanças de negros, indo a igrejas, fazendo ligações telefônicas”.

Edwards

Outros candidatos parecem estar fazendo o mesmo, como é o caso de John Edwards, que lidera as pesquisas na Carolina do Sul.

Jenni Ingibretsien, secretária de comunicação do candidato, explica que ele tem apostado bastante no corpo-a-corpo para convencer os eleitores negros a votar nele.

“Ele já fez inúmeras viagens ao Estado, e tem uma ampla base de apoio. Ele vai às igrejas. E tem falado da questão racial em todos os estados que visita no país, não apenas na Carolina do Sul.”

Para Todd Shaw, cientista politico especializado em voto afro-americano da Universidade da Carolina do Sul, as estratégias de campanha emrelação à comunidade negra são reflexo de um dilema que os democratas têm enfrentado desde os anos 80.

“O partido republicano, em particular por causa do presidente Ronald Reagan, conseguiu atrair mais eleitores para a direita. Da mesma forma, o partido democrata tem mudando seu foco desde os anos 80 para o centro, com o objetivo de atrair uma parcela maior dos eleitores independentes”, explica.

“Isso tem significado a adoção de estratégias (...) baseadas em questões econômicas abrangentes, que transcendem raça. Mas a dificuldade é que ainda é necessário levar em conta que há questões específicas que tem a ver com desigualdades raciais.”

“Eu acho que é um equívoco - como creio que seja o caso, até certo ponto, de

John Edwards – não dizer que a desigualdade racial é mais uma dessas questões que dividem a sociedade, e incluir isso na plataforma (de campanha).”

“O problema é que o grau em que você assume essa postura no sul é o ponto em que você aliena um eleitor independente ou branco”, completou.

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