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Atualizado às: 27 de janeiro, 2004 - 09h07 GMT (07h07 Brasília)
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Primária de New Hampshire pode reduzir campo democrata

O pré-candidato democrata John Kerry em campanha

Os eleitores de New Hampshire vão nesta terça-feira às urnas para uma primária que pode estreitar o número de Democratas que competem pela nomeação partidária para enfrentar o presidente George W. Bush nas eleições de novembro.

As últimas pesquisas apontam para a liderança do senador John Kerry, mas, com Howard Dean reduzindo a diferença à medida em que a hora da votação se aproxima, os cabos eleitorais intensificam a campanha no estado.

"Nas últimas 48 horas recebemos seis ligações de comitês dos candidatos pedindo votos" conta o historiador da Universidade de New Hampshire, Frank McCann.

Analistas dizem que as primárias de New Hampshire são essenciais para definir a força das candidaturas para a próxima etapa da nomeação democrata –as primárias no sul do país em geral e na Carolina do Sul em especial – e podem tirar do páreo alguns do sete candidatos que estão na corrida.

Região

Nessa avaliação, os três candidatos do norte do país – o senador John Kerry (Massachussets), o senador Joe Lieberman (Conecticut) e o ex-governador Howard Dean (Vermont) – têm de conseguir bons resultados em New Hampshire para poderem seguir na corrida.

O cientista político Mark Wright, da Universidade de New Hampshire, acredita que a situação é especialmente delicada para Lieberman.

"O senador (Lieberman) não participou do cáucus de Iowa e investiu muito aqui em New Hampshire mas as pesquisas não estão mais indicando um bom posicionamento dele no Estado", diz o especialista.

"Acho que a candidatura dele não vai ter recursos suficientes para continuar se ele não conseguir uma boa exposição e muitos doadores depois das primárias", disse.

O eleitor de Lieberman Mark Dider disse que acha difícil que seu candidato ganhe as primárias em New Hampshire.

"Mas o que aconteceu com Howard Dean (que teve um fraco desempenho em Iowa e parece estar se recuperando agora) mostrou que em política nada é previsível", disse ele enquanto participava de um comício de Lieberman em Concord.

Mas, ao contrário dos analistas, Dider acredita que Lieberman pode continuar na corrida mesmo que tenha um desempenho fraco na primária.

"Ele pode até terminar em quarto lugar. Só espero que não acabe em último", diz o eleitor.

Dean

Já os partidários de Howard Dean estão animados com a aparente reação do candidato, que está subindo nas pesquisas embora continue em segundo lugar.

Howard Dean

“Meu candidato foi um pouco prejudicado pelo desempenho em Iowa, mas ele está se recuperando, porque as pessoas estão vendo que ele é o democrata com mais chances de vencer Bush nas eleições”, diz Sarah Robins, moradora de Vermon que veio a New Hampshire para trabalhar na campanha de Howard Dean, ex-governador de seu Estado.

O argumento de Sarah a favor de Dean – as reais chances de vitória contra Bush – tem sido o principal argumento de todo o campo democrata, uma vez que as pesquisas estão mostrando que esta é a principal preocupação dos eleitores do partido.

Sul

Também é importante para os senadores John Edwards e general Wesley Clark conseguirem bons resultados em New Hampshire, mas analistas dizem que eles ainda podem se recuperar nos Estados do Sul de um desempenho mais fraco nesta terça-feira.

“Não acho que nem Clark nem Edwards vão sair da corrida por enquanto, independentemente dos resultados deles em New Hamphsire", avalia Mark Wright.

O candidato Dennis Kucinich também está se esforçando para melhorar seu desempenho no Estado, principalmente com eventos direcionados aos seus principais eleitores –jovens e universitários –mas analistas concordam que ele tem chances muito reduzidas de conseguir a nomeação.

John Edwards

O ativista de direitos civis Al Sharpton – outro que analistas consideram unanimemente que não tem chances de vitória – está concorrendo em New Hampshire, mas está guardando suas energias para a primária da Carolina do Sul, onde o voto negro pode lhe render melhores dividendos.

New Hampshire

As primárias de New Hampshire são, por lei, as primeiras do país, vindo logo depois do cáucus de Iowa.

Como Iowa, New Hampshire é um Estado pequeno, que não elege um grande número de delegados para as convenções partidárias, mas a sua posição privilegiada no início da disputa democrata lhe dá destaque.

"Existe uma indústria eleitoral aqui em New Hampshire", conta o historiador Frank McCann.

"Com a chegada dos jornalistas e das campanhas a cidade recebe um dinheiro que tem hoje um papel importante nas contas do Estado e um prestígio que os políticos locais não dispensam", completa.

Política

O professor observa que a atividade política em New Hampshire é ininterrupta porque o governador aqui tem mandato de apenas dois anos, enquanto na maioria dos Estados americanos os mandatos têm duração de quatro anos.

"Aqui quando o governador é eleito ele já tem de estar se preparando para a próxima campanha. É um ambiente muito politizado que acaba passando para a população em geral", diz o professor.

McCann acrescenta que o caráter político do Estado também é definido pela alta renda dos moradores, a sexta em termos per capita entre os 50 Estados americanos.

"Por conta disso, propostas de aumentos de impostos não costumam ser populares em New Hampshire", observa o especialista.

Independentes

Analistas também dizem que o grande número de independentes em New Hampshire pode ter grande efeitos – muitas vezes de última hora – sobre os resultados das primárias.

Independentes são eleitores que não são registrados nem como democratas nem como republicanos e que têm direito de votarem nas primárias dos dois partidos.

“Acho que os independentes que pretenderem apoiar os democratas este ano têm de se preocupar nas primárias principalmente em eleger o candidato que tenha maiores chances de bater George W. Bush”, opinou Graham Harrison, ele próprio um independente.

“Já votei nos democratas, nos Republicanos e em terceiros partidos (partidos menores como o Verde e o Libertário) mas nestas eleições a minha prioridade é colocar na disputa alguém que possa tirar George W. Bush do poder”, disse.

Lieberman

Lieberman é o candidato que mais tem se esforçado para atrair os eleitores independentes, se apresentando como um democrata mais moderado – herdeiro de Bill Clinton e como o único dos sete pré-candidatos que apoiou a Guerra no Iraque.

O candidato não participou do cáucus de Iowa para concentrar seus esforços em New Hampshire, mas as últimas pesquisas estão demonstrando um desempenho muito fraco dele.

Há pequenas diferenças nos números, mas em todas as pesquisas Lieberman aparece em quinto lugar, com cerca de 10% das preferências.

“Se Lieberman não conseguir se recuperar a apresentar um bom resultado aqui acho muito dificil que ele possa continuar nas eleições”, avalia o editor-chefe de pesquisas do grupo Gallup, David Moore.

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