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Maconha passa a ser 'droga menor' na Grã-Bretanha
A partir desta quinta-feira, a Grã-Bretanha adota uma nova legislação em relação ao consumo da maconha no país. A droga agora sai da classe B, em que estão as anfetaminas e os barbitúricos – grupo de substâncias consideradas de perigo médio – e vai para a classe C, que inclui aquelas tidas como menos perigosas, como os esteróides anabolizantes. Assim, quem for pego fumando um cigarro de maconha terá a droga confiscada, levará uma advertência, mas não deverá ser preso. O ministro do Interior, David Blunkett, defende que a nova medida vai ajudar a polícia a se concentrar no combate ao tráfico e ao uso de drogas como o crack, a cocaína e a heroína, essas classificadas na categoria A. Reação Mas o argumento parece não convencer outros setores da sociedade britânica. No Parlamento, líderes do Partido Conservador já disseram que se ganharem as próximas eleições, eles vão reverter essa política. "A maconha é uma porta de entrada para outras drogas e o fato de ela continuar sendo ilegal significa que, para obtê-la, as pessoas ainda têm que recorrer a traficantes", disse à BBC Brasil Sherryl Gillam, sub-secretária de assuntos internos do Partido Conservador. Para ela e outros membros do partido, a nova lei é confusa e pode levar as pessoas a acreditar que a droga está liberada. "O governo agora está gastando 1 milhão de libras (cerca de R$ 5 milhões) para tentar desfazer a confusão e lembrar a população que, apesar da nova classificação, a maconha continua sendo ilegal", afirmou Gillam. Saúde As entidades de saúde pública britânicas também são contrárias à reclassificação da maconha, como contou à BBC Brasil Peter Maguire, vice-presidente da Associação Médica Britânica. "A maconha é uma droga muito perigosa, pois tem três vezes mais alcatrão que um cigarro comum, aumenta cinco vezes mais a taxa de monóxido de carbono no sangue e contém mais de 300 toxinas que afetam todos os órgãos do corpo", disse o médico. Segundo ele, a longo prazo, a maconha pode provocar câncer no pulmão, doenças cardíacas e até esquizofrenia. As autoridades britânicas também estão preocupadas com efeitos indiretos do uso da droga. Em um estudo do Conselho de Pesquisas Econômicas e Sociais divulgado na semana passada, 74% de usuários da maconha admitiram ter dirigido depois de fumar. Outros 10% confessaram que tendem a dispensar a camisinha ao fazer sexo depois de usar a droga. Experiência A reclassificação, que agora se torna nacional, já foi testada no subdistrito de Lambeth, no sul de Londres, desde julho de 2001. Entre os moradores, as opiniões sobre o sucesso da experiência no bairro são contraditórias. "Eu percebo mais gente fumando na rua hoje em dia", contou a aposentada Louise, moradora da região há 30 anos. "E isso me preocupa porque os jovens estão começando cada vez mais cedo e isso prejudica o futuro deles." Já o professor Andy, que vive em Lambeth há nove anos, aprova a decisão do governo britânico de estender a experiência do subdistrito para o resto do país. "Eu não acho que o dia-a-dia do bairro mudou quando a reclassificação foi aplicada. Na verdade, ela apenas tornou oficial uma prática que já era comum na região", definiu. A polícia lembra que a nova política não vai evitar a prisão de pessoas que forem pegas fumando maconha em público ou perto de escolas e associações juvenis. Os usuários recorrentes também podem ser levados para a delegacia, assim como os menores de idade. |
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