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Maconha alivia sintomas da esclerose múltipla, diz pesquisa
A maior pesquisa já desenvolvida com medicamentos feitos com a planta da maconha confirmou que esses remédios podem melhorar os sintomas de pacientes com esclerose múltipla. O teste, realizado em mais de 600 pacientes e publicado na revista médica Lancet, também mostrou evidências de que esses medicamentos estimulam a mobilidade. Porém, nenhuma outra prova física do efeito das drogas sobre os sintomas da doença foi revelada. Um cientista que está envolvido na pesquisa disse que os resultados do estudo devem levar o Serviço Nacional de Saúde britânico a começar a prescrever medicamentos feitos com o cânhamo, a planta da maconha. Há muitos anos, pacientes de esclerose múltipla dizem que fumar maconha ajuda a aliviar alguns sintomas da doença, como espasmos e rigidez dos músculos, que tornam a movimentação muito difícil, assim como tremores e problemas na bexiga. Alguns pacientes dizem que estão dispostos até a burlar a lei para obter maconha ilegalmente. Evidências A pesquisa, criada pelo Conselho de Pesquisas Médicas britânico, começou cinco anos atrás com o objetivo de providenciar evidências que pudessem provar ou reprovar os benefícios do uso da maconha no tratamento da esclerose múltipla. No total, 657 pacientes, todos com espasmos musculares, foram selecionados. Alguns receberam pílulas com extratos de cânhamo contendo todas as substâncias químicas da droga, e outros receberam pílulas falsas, sem qualquer substância ativa. Os espasmos de cada paciente foram medidos antes e durante as 14 semanas do experimento usando um sistema especial de medição, e os pacientes deveriam dizer se perceberam qualquer melhora. Além disso, os pesquisadores cronometraram o tempo que os pacientes levavam para andar uma certa distância, para ver se as drogas tinham influência sobre a mobilidade dos mesmos. Resultados Os dados da medição objetiva dos espamos não revelaram melhoras significativas, mesmo nos pacientes que tomaram os medicamentos com a droga. Porém, uma leve melhora foi observada na mobilidade desses pacientes. Mas ao serem questionados sobre como se sentiram durante o experimento, os pacientes que tomaram os remédios com o cânhamo disseram perceber uma grande melhora em dores musculares, espasmos e na qualidade do sono. Os pesquisadores concluiram que, apesar de não terem provas objetivas sobre os efeitos físicos da droga, obtiveram evidências de que esses medicamentos poderiam ser usados clinicamente para tratar alguns sintomas da esclerose múltipla. Repercussão Os resultados do estudo foram bem vistos por entidades que trabalham com pacientes da doença. O responsável por um desses grupos, Chris Jones, disse que foi "frustrante" não ter provas físicas de que medicamentos feitos com maconha ajudam a aliviar espasmos. Mas ele acrescentou: "Em geral, nós acreditamos que este estudo, assim como outros que demonstram melhoras sintomáticas, providenciam evidências convincentes de que a maconha pode ser muito útil clinicamente". Mike O'Donovan, da Sociedade dos Portadores de Esclerose Múltipla, disse que "essas melhoras na qualidade de vida dos pacientes fazem uma grande diferença, já que as possibilidades de tratamento são muito limitadas". Uma empresa de medicamentos já solicitou, com base em testes clínicos próprios, uma licença para produzir um medicamento feito de maconha e que seria usado no tratamento da esclerose múltipla. Outras pesquisas sobre o uso da maconha no tratamento de doenças como o Mal de Alzheimer, dores gerais pós-operatórias e Aids continuam sendo feitas. |
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