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Atualizado às: 24 de janeiro, 2004 - 04h33 GMT (02h33 Brasília)
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São Paulo está à beira do colapso, diz urbanista

São Paulo
Urbanista defende maior descentralização da administração paulistana

O urbanista e consultor internacional Jordi Borja diz que a cidade de São Paulo está à beira do colapso, mas não deixa de lado o otimismo quando fala da capital paulista.

"São Paulo está à beira do colapso, do colapso de funcionamento, do colapso ambiental, tem problemas de desigualdade , de pobreza, de segurança," disse o urbanista espanhol, que já realizou projetos na cidade e também em São André.

"São Paulo tem problemas distintos de outras grandes cidades, porque todos os problemas se acumulam em um nível de intensidade que faz com que São Paulo viva uma situação difícil. Ao mesmo tempo, é uma das cidades mais dinâmicas, mais potentes."

Borja, que tem em seu currículo uma gestão como vice-prefeito de Barcelona, não culpa a atual administração pelo colapso da cidade. Na sua opinião, a capital paulista perdeu a oportunidade de "sair do buraco" no final dos anos 80, entrando depois em um longo período que caracteriza como "catastrófico".

Caminho certo

"Entre 88 e 92, a troca de governo (administração petista de Luiza Erundina) poderia ter sido muito, mas não foi o que se esperava. Depois, (o PT) perdeu as eleições, (e a cidade foi) passando por quase uma década de malufismo, que eu penso que foi catastrófico para a cidade de São Paulo", comentou o urbanista.

 Provavelmente, o que está se tentando fazer agora é ter uma forma de governar mais distinta, mais participativa, mais descentralizada. Porque uma cidade do porte de São Paulo precisa funcionar com uma estrutura descentralizada.

Jordi Borja

Para Borja, a gestão Marta Suplicy está seguindo pelo caminho certo: estrutura mais descentralizada, trabalhando em conjunto com os outros setores do setor público, como o governo do Estado.

"Provavelmente, o que está se tentando fazer agora é ter uma forma de governar mais distinta, mais participativa, mais descentralizada. Porque uma cidade do porte de São Paulo precisa funcionar com uma estrutura descentralizada."

"Precisa-se encontrar fórmulas de consórcios, de cooperações com o estado e os municípios de toda a área metropolitana, definindo estratégias comuns e projetos conjuntos", sugeriu Jordi Borja.

Programas de moradia

O urbanista espanhol acha que, além da descentralização, o trabalho em conjunto com os grandes municípios ao redor da capital são impostantes para fazer com a cidade de São Paulo seja mais viável.

Para isso, segundo Borja, é preciso fortalecer os municípios e também criar programas de moradias ligados ao combate à pobreza e à geração de empregos.

Para Borja a tarefa não é impossível, mas não é nada fácil. O projeto precisa ser ambicioso com metas estratégicas, visando os próximos 10 ou 15 anos.

 É preciso dividir a cidade entre 15 e 20 setores, como acontece em Londres com os boroughs, em Barcelona, com os distritos, entre outras cidades. Essas estruturas precisam definir os projetos urbanísticos, dando espaço a participação dos cidadãos, permitindo levar a cabo projetos sociais e urbanísticos conjuntamente.

Jordi Borja

"A cidade tem os problemas típicos de uma metrópole. Problemas de articulações das administrações públicas e com muitos outros grandes municípios ao seu redor."

Seguindo exemplos

"Tenho confiança que a atual administração poderá fazer melhores conexões entre São Paulo e o governo federal, que é fundamental, fazendo com que São Paulo entre em uma nova era", disse.

De imediato, Borja acredita que a prefeitura precisa criar estruturas regiões fortes, como acontece em cidades como Londres, Paris ou Barcelona.

"É preciso dividir a cidade entre 15 e 20 setores, como acontece em Londres com os boroughs, em Barcelona, com os distritos, entre outras cidades. Essas estruturas precisam definir os projetos urbanísticos, dando espaço a participação dos cidadãos, permitindo levar a cabo projetos sociais e urbanísticos conjuntamente", disse Borja.

O urbanista disse ainda que é preciso realizar também trabalhos de combate à superpopulação, para que as pessoas tenham opções e não precisem vir viver ou trabalhar na capital paulista.

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